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Argentina deporta jornalista brasileiro crítico de Javier Milei e proíbe sua entrada por cinco anos

Argentina deporta jornalista brasileiro crítico de Javier Milei e


Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar no país ao desembarcar em Buenos Aires. Autoridades alegam irregularidades migratórias, enquanto jornalista suspeita de perseguição política.

O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi deportado da Argentina na segunda-feira (12 de outubro). Além de ter sua residência permanente cancelada, o profissional ficou proibido de entrar no país pelos próximos cinco anos.

A decisão foi comunicada ao jornalista quando ele desembarcou no Aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. Segundo as autoridades migratórias argentinas, a medida foi motivada pelo descumprimento das condições necessárias para manter sua residência no país.

Tomaz Jr., no entanto, contesta a justificativa e acredita que a decisão possa estar relacionada às críticas que faz ao governo argentino.

Por que o jornalista foi deportado?

De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o brasileiro não teria cumprido as exigências de residência regular desde 2022, ano em que recebeu autorização para morar permanentemente no país.

O documento de residência de Tomaz Jr. tinha validade até 2037, mas foi cancelado administrativamente em agosto de 2026.

O jornalista afirma que continuou viajando regularmente para a Argentina e que permaneceu no país por 36 dias somente neste ano.

Segundo ele, não houve comunicação prévia sobre o cancelamento de sua residência, e a decisão só foi informada quando chegou ao aeroporto de Buenos Aires.

Jornalista suspeita de perseguição política

Rogério Tomaz Jr. acredita que a medida possa estar relacionada a confrontos recentes nas redes sociais com apoiadores e integrantes do governo de Javier Milei.

Entre julho e agosto, o brasileiro publicou críticas à administração argentina e participou de discussões com representantes ligados ao presidente.

O jornalista considera que sua deportação pode representar uma tentativa de restringir sua atuação no país.

Até o momento, porém, não há comprovação pública de que a decisão migratória tenha sido determinada especificamente por suas opiniões políticas.

A justificativa formal apresentada pelas autoridades argentinas está relacionada às condições de manutenção da residência permanente.

Governo argentino endureceu regras migratórias

A administração de Javier Milei promoveu mudanças na legislação migratória argentina, ampliando mecanismos de controle sobre a permanência e a entrada de estrangeiros.

Entre as alterações está o Decreto 366/2025, que modificou dispositivos da legislação de imigração do país.

As normas permitem o cancelamento da residência em determinadas situações de descumprimento dos requisitos legais.

O governo argentino também adotou medidas relacionadas à entrada de estrangeiros acusados de incitação à violência ou discriminação.

No caso de Tomaz Jr., a decisão formal de cancelamento da residência foi fundamentada em regras migratórias. A relação direta entre a sanção e suas críticas políticas permanece contestada.

Brasileiro preparava livro sobre Javier Milei

Morador de Brasília, Rogério Tomaz Jr. acompanha a política argentina e trabalha em um livro sobre o governo de Javier Milei, com publicação prevista para 2027.

A viagem à Argentina tinha como objetivo realizar entrevistas e reunir informações para a obra.

O jornalista já atuou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e produz análises sobre os efeitos das políticas econômicas e sociais adotadas na Argentina.

Apesar da deportação, afirmou que pretende continuar acompanhando os acontecimentos políticos do país.

Jornalista poderá recorrer da decisão

Tomaz Jr. informou que existe a possibilidade de recorrer administrativamente ou judicialmente da sanção, embora considere difícil recuperar sua residência permanente.

A proibição de entrada por cinco anos permanece como consequência da decisão das autoridades migratórias argentinas.

O episódio também reacendeu discussões sobre os limites das políticas migratórias, a liberdade de expressão e o tratamento dispensado a jornalistas estrangeiros.

A eventual motivação política da medida ainda não foi demonstrada de forma independente.