Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar no país ao desembarcar em Buenos Aires. Autoridades alegam irregularidades migratórias, enquanto jornalista suspeita de perseguição política.
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi deportado da Argentina na segunda-feira (12 de outubro). Além de ter sua residência permanente cancelada, o profissional ficou proibido de entrar no país pelos próximos cinco anos.
A decisão foi comunicada ao jornalista quando ele desembarcou no Aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. Segundo as autoridades migratórias argentinas, a medida foi motivada pelo descumprimento das condições necessárias para manter sua residência no país.
Tomaz Jr., no entanto, contesta a justificativa e acredita que a decisão possa estar relacionada às críticas que faz ao governo argentino.
Por que o jornalista foi deportado?
De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o brasileiro não teria cumprido as exigências de residência regular desde 2022, ano em que recebeu autorização para morar permanentemente no país.
O documento de residência de Tomaz Jr. tinha validade até 2037, mas foi cancelado administrativamente em agosto de 2026.
O jornalista afirma que continuou viajando regularmente para a Argentina e que permaneceu no país por 36 dias somente neste ano.
Segundo ele, não houve comunicação prévia sobre o cancelamento de sua residência, e a decisão só foi informada quando chegou ao aeroporto de Buenos Aires.
Jornalista suspeita de perseguição política
Rogério Tomaz Jr. acredita que a medida possa estar relacionada a confrontos recentes nas redes sociais com apoiadores e integrantes do governo de Javier Milei.
Entre julho e agosto, o brasileiro publicou críticas à administração argentina e participou de discussões com representantes ligados ao presidente.
O jornalista considera que sua deportação pode representar uma tentativa de restringir sua atuação no país.
Até o momento, porém, não há comprovação pública de que a decisão migratória tenha sido determinada especificamente por suas opiniões políticas.
A justificativa formal apresentada pelas autoridades argentinas está relacionada às condições de manutenção da residência permanente.
Governo argentino endureceu regras migratórias
A administração de Javier Milei promoveu mudanças na legislação migratória argentina, ampliando mecanismos de controle sobre a permanência e a entrada de estrangeiros.
Entre as alterações está o Decreto 366/2025, que modificou dispositivos da legislação de imigração do país.
As normas permitem o cancelamento da residência em determinadas situações de descumprimento dos requisitos legais.
O governo argentino também adotou medidas relacionadas à entrada de estrangeiros acusados de incitação à violência ou discriminação.
No caso de Tomaz Jr., a decisão formal de cancelamento da residência foi fundamentada em regras migratórias. A relação direta entre a sanção e suas críticas políticas permanece contestada.
Brasileiro preparava livro sobre Javier Milei
Morador de Brasília, Rogério Tomaz Jr. acompanha a política argentina e trabalha em um livro sobre o governo de Javier Milei, com publicação prevista para 2027.
A viagem à Argentina tinha como objetivo realizar entrevistas e reunir informações para a obra.
O jornalista já atuou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e produz análises sobre os efeitos das políticas econômicas e sociais adotadas na Argentina.
Apesar da deportação, afirmou que pretende continuar acompanhando os acontecimentos políticos do país.
Jornalista poderá recorrer da decisão
Tomaz Jr. informou que existe a possibilidade de recorrer administrativamente ou judicialmente da sanção, embora considere difícil recuperar sua residência permanente.
A proibição de entrada por cinco anos permanece como consequência da decisão das autoridades migratórias argentinas.
O episódio também reacendeu discussões sobre os limites das políticas migratórias, a liberdade de expressão e o tratamento dispensado a jornalistas estrangeiros.
A eventual motivação política da medida ainda não foi demonstrada de forma independente.
