A chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos provocou uma onda de manifestações nas redes sociais. Internautas passaram a utilizar a hashtag #DeportTheBolsonaros, que significa “Deportem os Bolsonaros”, para pedir a retirada do parlamentar e de outros integrantes da família Bolsonaro do território americano.
A campanha ganhou visibilidade após Flávio desembarcar em Miami, na Flórida, acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de deixar o Brasil em meio a uma investigação judicial e à derrota na eleição presidencial.
Publicações em inglês criticam a presença da família nos Estados Unidos e questionam a decisão do governo de Donald Trump de autorizar a entrada do senador.
A mobilização também ganhou dimensão política com declarações de Isaiah Martin, candidato democrata ao Congresso americano pelo Texas, que defendeu publicamente a deportação de Flávio Bolsonaro.
Apesar da repercussão, não há anúncio de ordem de deportação contra o senador. As manifestações representam posicionamentos de usuários das redes sociais e de adversários políticos da administração Trump.
Hashtag reúne críticas à presença da família Bolsonaro nos EUA
A expressão #DeportTheBolsonaros começou a circular em publicações que questionam a permanência de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo reportagem do Portal POP Mais, a mobilização ganhou força depois da confirmação da chegada de Flávio Bolsonaro ao país.
Entre as publicações compartilhadas estão críticas ao senador, manifestações contrárias ao apoio oferecido pelo governo Trump e pedidos para que autoridades migratórias americanas analisem sua situação.
O movimento também menciona Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, ampliando as críticas para outros membros da família.
A hashtag aparece em postagens na plataforma X e em conteúdos compartilhados em outras redes sociais.
Embora a expressão tenha alcançado repercussão, não há dados públicos suficientes para determinar quantos americanos participam da campanha ou afirmar que ela representa a opinião da maioria da população dos Estados Unidos.
Candidato democrata do Texas defende deportação de Flávio
Uma das manifestações de maior repercussão partiu de Isaiah Martin, político democrata e candidato ao Congresso dos Estados Unidos pelo Texas.
Em publicações na plataforma X, Martin criticou a presença de Flávio Bolsonaro no país e defendeu sua deportação.
O político também questionou a possibilidade de os Estados Unidos oferecerem proteção a pessoas investigadas por autoridades de outros países.
A declaração ocorreu em resposta a uma publicação de Simón Levy, aliado de Donald Trump, que havia comentado a saída de Flávio do Brasil e sua viagem para território americano.
Martin afirmou que o senador deveria ser deportado caso os democratas conquistassem condições políticas para adotar essa medida.
Posteriormente, o candidato voltou a publicar mensagens contrárias à permanência de Flávio nos Estados Unidos.
As declarações representam a posição individual do político democrata. Martin não possui autoridade para determinar uma deportação, e suas manifestações não constituem uma decisão do governo americano.
Flávio Bolsonaro chegou a Miami após deixar o Brasil
Flávio Bolsonaro desembarcou na região de Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas.
O senador deixou o Brasil depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes no contexto de investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras.
A viagem ocorreu após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a família atravessou a fronteira com a Argentina e seguiu em uma aeronave particular, com passagem pelo Equador, antes de chegar à Flórida.
Flávio nega ter cometido irregularidades e afirma que deixou o país para proteger sua família e continuar sua atuação política.
A Polícia Federal brasileira informou que o senador não era considerado foragido, pois não havia mandado de prisão contra ele.
Trump autorizou entrada do senador nos Estados Unidos
A administração de Donald Trump autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares nos Estados Unidos.
O próprio presidente americano afirmou publicamente que aceitava a presença do senador no país.
Trump também criticou o resultado das eleições brasileiras, embora não tenha apresentado provas de fraude.
A decisão de permitir a entrada da família Bolsonaro provocou reações de opositores políticos americanos, que questionam o tratamento oferecido ao parlamentar brasileiro.
Por outro lado, apoiadores de Trump e aliados da família Bolsonaro defendem a viagem, alegando que o senador enfrenta perseguição política no Brasil.
Essas interpretações refletem posições políticas divergentes sobre o caso.
Uma campanha nas redes pode provocar deportação?
A repercussão de uma hashtag não determina, por si só, a abertura de um processo de deportação nos Estados Unidos.
As decisões sobre permanência, cancelamento de vistos e eventual remoção de estrangeiros dependem da legislação migratória americana e da atuação das autoridades competentes.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) e os órgãos responsáveis pela imigração podem avaliar situações individuais conforme as normas aplicáveis.
Entretanto, pedidos feitos por internautas ou declarações de candidatos políticos não substituem os procedimentos legais.
Mesmo quando uma pessoa é investigada em outro país, isso não significa automaticamente que sua presença nos Estados Unidos seja irregular ou que exista fundamento suficiente para sua deportação.
Até o momento, não foi divulgada uma determinação oficial das autoridades migratórias americanas para remover Flávio Bolsonaro do país.
Caso amplia repercussão internacional da política brasileira
A campanha #DeportTheBolsonaros surge em meio à repercussão internacional da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Após chegar aos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta na qual inicialmente se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar do resultado oficial favorável a Lula.
Posteriormente, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”.
Flávio também anunciou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos.
A situação provocou reações entre aliados e adversários no Brasil e passou a mobilizar discussões políticas entre usuários americanos.
A repercussão da hashtag demonstra como os acontecimentos da política brasileira ultrapassaram as fronteiras nacionais e passaram a integrar o debate político nas redes sociais dos Estados Unidos.
Por enquanto, a campanha permanece como uma mobilização digital, sem efeitos migratórios oficiais anunciados contra a família Bolsonaro.
