Um dia após a captura de Nicolás Maduro por agentes norte-americanos, a presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou nesta quarta-feira uma carta aberta endereçada ao presidente dos Estados Unidos, na qual pede o fim das hostilidades entre os dois países e propõe a construção de uma “agenda de cooperação”. No texto, a dirigente afirma que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar uma escalada que possa resultar em conflito armado.
A carta foi tornada pública em meio a um cenário de forte tensão política e militar, tanto dentro da Venezuela quanto no plano internacional. Rodríguez afirma que o país enfrenta um momento delicado e defende a retomada do diálogo como única via possível para garantir estabilidade regional. Segundo ela, ações unilaterais e o uso da força apenas aprofundam a crise e colocam em risco a paz na América Latina.
Nicolás Maduro e a esposa foram levados para os Estados Unidos após a operação conduzida por agentes norte-americanos em território venezuelano. De acordo com autoridades de Washington, o ex-presidente deve se apresentar à Justiça Federal em Manhattan, onde responderá a acusações criminais. O governo dos EUA sustenta que a ação teve como objetivo responsabilizar Maduro por supostos crimes e reforça que não pretende assumir o governo da Venezuela.
Apesar disso, Washington deixou claro que continuará exercendo pressão sobre o país sul-americano. Autoridades americanas afirmaram que as sanções econômicas serão mantidas, assim como o bloqueio ao setor petrolífero venezuelano, considerado um dos principais instrumentos de pressão contra Caracas. A estratégia, segundo os EUA, busca forçar mudanças políticas e institucionais no país.
No documento, Delcy Rodríguez critica duramente as sanções, classificando-as como prejudiciais à população venezuelana, e defende a suspensão imediata das medidas. Ela também afirma que a Venezuela está aberta à cooperação em áreas como energia, comércio e segurança regional, desde que haja respeito à soberania nacional.
A divulgação da carta ocorre enquanto governos e organismos internacionais acompanham com preocupação os desdobramentos da crise. Países aliados da Venezuela pedem uma solução diplomática, enquanto cresce o temor de que a situação evolua para um confronto mais amplo envolvendo outras nações da região.
Até o momento, a Casa Branca não respondeu oficialmente ao apelo feito pela presidente em exercício venezuelana.
