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Deputados dos EUA podem votar impeachment do chefe do Pentágono; Trump diz que quer manter Hegseth
Estados Unidos | Política

Deputados dos EUA podem votar impeachment do chefe do Pentágono; Trump diz que quer manter Hegseth

Votação contra o secretário de Defesa Pete Hegseth pode ocorrer já na próxima semana, segundo a CNN. Após a derrota republicana nas eleições legislativas, integrantes do partido responsabilizam o chefe do Pentágono pela condução da guerra contra o Irã.


O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, poderá enfrentar uma votação de impeachment na Câmara dos Representantes já na próxima semana. A possibilidade ganhou força após a derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3).

Segundo informações divulgadas pela CNN Internacional, parlamentares republicanos e aliados do governo Donald Trump passaram a questionar a atuação de Hegseth na guerra contra o Irã, considerada um dos principais fatores de desgaste político da administração americana.

O deputado republicano Thomas Massie, do Kentucky, afirmou que pretende apresentar uma iniciativa para forçar a votação assim que o Congresso retomar seus trabalhos. Fontes republicanas ouvidas pela emissora disseram acreditar que a proposta poderá receber votos suficientes para avançar.

Apesar da pressão, o presidente Donald Trump declarou que não pretende substituir Hegseth e reafirmou sua confiança no secretário, que ocupa um dos cargos mais importantes da estrutura de segurança nacional dos Estados Unidos.

Derrota republicana aumenta pressão sobre o Pentágono

O resultado das eleições de meio de mandato provocou uma crise interna no Partido Republicano. Os democratas conquistaram o controle das duas casas do Congresso, alterando o equilíbrio de poder em Washington para os dois últimos anos do atual mandato de Trump.

A derrota intensificou as discussões sobre os motivos da insatisfação dos eleitores, especialmente em relação à guerra contra o Irã e aos seus impactos econômicos.

De acordo com a CNN, parlamentares republicanos passaram a atribuir a Hegseth um papel central na decisão de iniciar a ofensiva militar americana contra o país do Oriente Médio.

Nos bastidores, integrantes do partido afirmam que o secretário teria defendido uma intervenção sem apresentar uma estratégia clara para encerrar o conflito ou administrar suas consequências.

Essas críticas representam avaliações de parlamentares e assessores ouvidos pela emissora, não conclusões de uma investigação formal sobre a responsabilidade do secretário.

Embora estrategistas republicanos reconheçam que a derrota eleitoral envolveu diferentes fatores, parte do partido considera Hegseth politicamente mais vulnerável do que o próprio presidente.

Deputado republicano quer forçar votação de impeachment

Thomas Massie, conhecido por suas divergências com Donald Trump, anunciou que pretende retomar a iniciativa de impeachment contra o secretário de Defesa.

O parlamentar afirmou que poderá desistir da proposta caso Hegseth renuncie voluntariamente ao cargo.

Massie já havia apresentado acusações contra o chefe do Pentágono e considera que a condução da guerra contra o Irã justifica uma análise formal pelo Congresso.

Segundo a CNN, alguns republicanos acreditam que a iniciativa poderá ser aprovada ainda antes da posse dos novos congressistas eleitos.

A possibilidade é politicamente significativa porque demonstra que a pressão contra Hegseth não está restrita aos democratas, alcançando também integrantes do partido do presidente.

Entretanto, a votação ainda não foi oficialmente realizada, e seu resultado permanece indefinido.

Guerra contra o Irã está no centro das críticas

A participação dos Estados Unidos na guerra contra o Irã tornou-se um dos principais pontos de divergência dentro do governo Trump.

Críticos da atuação do Pentágono afirmam que a administração subestimou a duração do conflito e as dificuldades de alcançar seus objetivos militares.

Republicanos ouvidos pela CNN acusaram Hegseth de apresentar avaliações excessivamente otimistas sobre a capacidade americana de obter uma vitória rápida.

Também questionaram sua defesa da continuidade dos ataques, mesmo diante da resistência iraniana e dos custos políticos e econômicos da operação.

A guerra contribuiu para ampliar as preocupações dos americanos com os preços, os gastos públicos e a possibilidade de prolongamento da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.

O vice-presidente JD Vance reconheceu publicamente a influência do conflito no resultado eleitoral, afirmando que a guerra foi a razão da derrota republicana.

Vance, entretanto, não atribuiu individualmente a Hegseth a responsabilidade pelo resultado das eleições.

Trump defende secretário e descarta demissão

Apesar das críticas, Donald Trump mantém publicamente seu apoio a Pete Hegseth.

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de substituir o secretário, o presidente afirmou que ele está fazendo um excelente trabalho.

Trump também defendeu a decisão de iniciar a ofensiva contra o Irã e indicou que tomaria novamente a mesma decisão diante das circunstâncias que levaram ao conflito.

Segundo a CNN, o presidente tem conversado com aliados sobre o desempenho de Hegseth, mas não demonstrou intenção imediata de afastá-lo.

Pessoas próximas à Casa Branca relataram que Trump considera importante que o secretário responda às críticas e enfrente eventuais investigações parlamentares.

A manutenção de Hegseth também pode ter consequências para a estratégia militar americana, especialmente diante da possibilidade de novas operações contra o Irã.

Com a mudança na composição do Senado a partir de janeiro, uma eventual substituição do secretário poderá exigir negociações mais difíceis para confirmar um sucessor.

Pentágono afirma que Hegseth não pretende deixar o cargo

O Departamento de Defesa reagiu às informações sobre a possível votação de impeachment e afirmou que Hegseth continuará exercendo suas funções.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, declarou que o secretário não será intimidado por pressões políticas nem por investigações que considera motivadas por disputas partidárias.

Segundo Parnell, Hegseth permanece comprometido com a agenda de Donald Trump e pretende continuar à frente do departamento até o fim do mandato presidencial.

A Casa Branca também criticou a possibilidade de investigações conduzidas pelos democratas após a mudança de controle do Congresso.

A porta-voz Lauren Bis afirmou que o governo considera politicamente motivadas as iniciativas de fiscalização que, em sua avaliação, não estejam fundamentadas em irregularidades.

Já os defensores de uma investigação parlamentar argumentam que o Congresso possui responsabilidade constitucional de fiscalizar decisões militares e a atuação dos integrantes do governo.

Como funciona o impeachment de um secretário nos Estados Unidos?

Nos Estados Unidos, o impeachment não se aplica apenas ao presidente. A Constituição também permite que autoridades civis federais, incluindo secretários do governo, sejam submetidas ao procedimento.

O processo possui duas etapas principais.

Primeiro, a Câmara dos Representantes precisa aprovar as acusações por maioria simples dos votos.

Se isso ocorrer, o caso segue para o Senado, responsável pelo julgamento.

Para que a autoridade seja condenada e removida do cargo, é necessário o apoio de dois terços dos senadores presentes.

Portanto, uma eventual aprovação do impeachment de Pete Hegseth pela Câmara não significaria sua destituição automática.

O secretário permaneceria no cargo enquanto o processo seguisse seu curso, a menos que decidisse renunciar ou fosse dispensado pelo presidente.

A exigência de uma maioria qualificada no Senado também torna a etapa final politicamente mais complexa.

Democratas prometem ampliar fiscalização sobre decisões militares

A vitória democrata nas eleições legislativas deverá aumentar a fiscalização do governo Trump a partir de janeiro de 2027, quando os novos integrantes do Congresso assumirem seus mandatos.

Parlamentares democratas já manifestaram interesse em investigar a condução da guerra contra o Irã, os gastos militares e as decisões tomadas pelo comando do Pentágono.

Com o controle das comissões parlamentares, o partido poderá convocar audiências, solicitar documentos e exigir esclarecimentos de integrantes da administração.

Essas medidas poderão ampliar a pressão sobre Hegseth, independentemente do resultado de uma eventual votação de impeachment nas próximas semanas.

O cenário também deverá intensificar os conflitos entre o Congresso e a Casa Branca sobre os limites da atuação militar americana.

Futuro de Hegseth depende de decisões no Congresso e na Casa Branca

A possível abertura de um processo de impeachment coloca Pete Hegseth no centro da crise política enfrentada pelo governo Trump após as eleições de meio de mandato.

Enquanto integrantes do Partido Republicano discutem responsabilidades pela derrota eleitoral, o presidente procura demonstrar continuidade em sua equipe e defender as decisões tomadas durante a guerra contra o Irã.

O secretário, por sua vez, afirma que pretende permanecer no cargo e responder às críticas.

A expectativa agora está concentrada no retorno dos parlamentares a Washington, quando Thomas Massie poderá apresentar formalmente sua iniciativa e testar o apoio existente para uma votação.

Até o momento, Hegseth continua à frente do Pentágono, Trump mantém seu apoio público ao secretário e não existe decisão do Congresso que determine seu afastamento.