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EUA avaliam usar a “mãe de todas as bombas” contra o Irã, mas militares questionam eficácia do armamento

EUA avaliam usar a “mãe de todas as bombas” contra o Irã, mas


ESTADOS UNIDOS | CONFLITO INTERNACIONAL | 15 DE OUTUBRO DE 2026

Plano militar americano inclui uma das maiores bombas convencionais do mundo. Segundo a CNN Internacional, autoridades discutem se o explosivo seria capaz de atingir os objetivos estratégicos de Washington.

Os Estados Unidos estão avaliando a possibilidade de utilizar a GBU-43/B, conhecida como “mãe de todas as bombas”, em uma eventual operação militar contra o Irã. A informação foi divulgada pela CNN Internacional e repercutida nesta quinta-feira (15) pelo portal g1.

O armamento, considerado um dos mais poderosos explosivos convencionais já desenvolvidos pelos militares americanos, aparece entre as alternativas analisadas por Washington. Entretanto, autoridades dos próprios Estados Unidos questionam se sua utilização seria realmente eficaz para alcançar os objetivos estratégicos de uma operação contra alvos iranianos.

A discussão ocorre em meio às tensões entre os dois países e coloca em evidência as limitações de uma arma conhecida principalmente por seu enorme poder de destruição.

O que é a “mãe de todas as bombas”?

A GBU-43/B MOAB é uma bomba convencional de grande potência desenvolvida pelos Estados Unidos. A sigla MOAB corresponde ao nome oficial em inglês Massive Ordnance Air Blast, embora o armamento tenha ficado popularmente conhecido como Mother of All Bombs, ou “mãe de todas as bombas”.

O explosivo pesa aproximadamente 9,8 toneladas e foi projetado para produzir uma onda de choque extremamente intensa sobre uma ampla área.

Diferentemente de uma arma nuclear, a MOAB utiliza explosivos convencionais.

Seu tamanho exige o lançamento por uma aeronave de transporte militar adaptada, e não por um caça convencional.

A bomba foi desenvolvida para atingir determinadas concentrações de alvos e estruturas na superfície, aproveitando a força da explosão e a pressão gerada no entorno.

Apesar de sua capacidade destrutiva, não é um armamento projetado especificamente para penetrar instalações subterrâneas profundamente protegidas.

Por que os militares americanos questionam sua eficácia contra o Irã?

Uma das principais dúvidas envolve o tipo de alvo que os Estados Unidos pretendem atingir.

O Irã possui instalações militares e estratégicas protegidas por estruturas reforçadas, incluindo complexos construídos no subsolo.

A GBU-43/B produz uma explosão de grande intensidade, mas isso não significa que consiga destruir instalações localizadas sob grandes camadas de rocha ou concreto.

Para esse tipo de operação, os Estados Unidos dispõem de outras categorias de armamentos, desenvolvidas especificamente para penetrar estruturas fortificadas antes de detonar.

Por isso, a escolha de uma bomba depende não apenas de sua potência, mas também da profundidade, localização e resistência do alvo.

Segundo a informação atribuída à CNN Internacional, integrantes do governo americano discutem justamente se a utilização da MOAB produziria resultados militares compatíveis com os objetivos de Washington.

Arma já foi utilizada no Afeganistão

A GBU-43/B ganhou repercussão mundial em abril de 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump.

Na ocasião, os Estados Unidos utilizaram a bomba contra uma posição do grupo terrorista Estado Islâmico na província de Nangarhar, no Afeganistão.

Foi a primeira utilização conhecida do armamento em combate.

A operação tinha como objetivo atingir combatentes e instalações associadas ao grupo extremista, em uma região onde havia uma rede de túneis e posições defensivas.

O lançamento chamou atenção internacional pelo tamanho da bomba e pela dimensão da explosão.

Desde então, a MOAB se tornou um dos símbolos mais conhecidos do poderio militar convencional americano.

Entretanto, o episódio no Afeganistão não significa que o mesmo armamento seja adequado para qualquer instalação subterrânea ou alvo fortificado.

Qual a diferença entre a MOAB e as bombas capazes de atingir instalações subterrâneas?

Embora seja frequentemente apresentada como uma das bombas mais poderosas do arsenal americano, a GBU-43/B não deve ser confundida com armamentos conhecidos como bombas penetradoras de bunkers.

Essas armas são projetadas para atravessar camadas de solo, concreto ou outras barreiras antes da explosão.

Um exemplo é a GBU-57, também conhecida como Massive Ordnance Penetrator, desenvolvida para atacar instalações profundamente enterradas e fortificadas.

A MOAB, por outro lado, foi concebida principalmente para gerar uma explosão de grande alcance e uma poderosa onda de pressão.

Essa diferença é especialmente importante no caso do Irã, onde parte das instalações estratégicas está localizada em estruturas subterrâneas.

A escolha entre esses armamentos dependeria das características dos alvos e dos efeitos militares pretendidos.

Avaliação não significa que ataque esteja autorizado

A inclusão da GBU-43/B em um planejamento militar não significa, por si só, que os Estados Unidos tenham decidido utilizá-la.

Forças armadas costumam estudar diferentes alternativas antes de uma eventual operação, considerando fatores como capacidade de destruição, riscos para civis, disponibilidade de aeronaves e consequências estratégicas.

No caso divulgado pela CNN Internacional, a informação central é que a possibilidade está sendo examinada, mas existem questionamentos sobre sua eficácia.

Não há, nas informações apresentadas até aqui, confirmação de que a MOAB tenha sido lançada contra o território iraniano nesta quinta-feira.

Também não é possível concluir, apenas pela existência desses planos, que uma operação com esse armamento seja inevitável.

Possível uso amplia preocupação com escalada militar

A discussão sobre o emprego de uma bomba de quase dez toneladas evidencia a gravidade das opções militares consideradas em Washington.

Uma operação americana contra o Irã poderia provocar consequências que ultrapassam os alvos inicialmente escolhidos, incluindo respostas militares, impactos sobre a segurança regional e repercussões econômicas internacionais.

Especialistas em defesa também destacam que a capacidade de destruir uma instalação não equivale necessariamente a alcançar um objetivo estratégico mais amplo.

A eficácia de uma operação depende de fatores como inteligência militar, localização dos alvos, proteção das estruturas e possíveis reações do adversário.

Por enquanto, a chamada “mãe de todas as bombas” permanece como uma das alternativas em discussão.

A principal questão para os planejadores militares americanos não é apenas o tamanho da explosão, mas se a arma seria capaz de atingir os alvos pretendidos e produzir os resultados esperados.