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EUA batem recorde de mulheres governadoras após eleição marcada por vitórias inéditas
Estados Unidos | Política

EUA batem recorde de mulheres governadoras após eleição marcada por vitórias inéditas

Pelo menos 17 mulheres estarão à frente de governos estaduais americanos em 2027, o maior número da história do país. Eleições de meio de mandato também registraram conquistas inéditas para mulheres negras, indígenas e latinas, enquanto disputas no Alasca e no Kansas permanecem indefinidas.


As eleições de meio de mandato realizadas nos Estados Unidos na terça-feira (3) marcaram um avanço histórico na participação feminina na política americana. Pela primeira vez, pelo menos 17 dos 50 estados do país serão governados por mulheres simultaneamente, superando o recorde anterior de 14 governadoras.

Os dados foram divulgados pelo Center for American Women and Politics (CAWP), centro de pesquisas da Universidade Rutgers, que acompanha a presença feminina nos cargos eletivos dos Estados Unidos.

Segundo o levantamento, 15 mulheres venceram disputas para governos estaduais nesta eleição. Outras duas governadoras permanecem no cargo sem terem precisado disputar a reeleição neste ano.

Entre as 17 mulheres que deverão assumir ou continuar seus mandatos em 2027, 14 são democratas e três republicanas.

O número ainda poderá aumentar, já que as disputas para governador no Alasca e no Kansas permaneciam sem resultado definitivo até a atualização divulgada nesta quinta-feira (5).

Geórgia elege primeira mulher negra governadora da história americana

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Keisha Lance Bottom governadora eleita pela Georgia.

Uma das vitórias mais significativas ocorreu na Geórgia, onde a democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora, tornando-se a primeira mulher negra a conquistar o comando de um estado americano.

Ex-prefeita de Atlanta, Bottoms derrotou o republicano Rick Jackson e encerrou uma sequência histórica de governadores homens e brancos na Geórgia.

Sua eleição representa um marco nacional porque, apesar dos avanços na representação de mulheres e pessoas negras no Congresso, nenhuma mulher negra havia sido eleita governadora de um estado americano.

Durante sua trajetória política, Bottoms ganhou projeção nacional ao administrar Atlanta, uma das principais cidades do sul dos Estados Unidos.

A vitória também colocou a Geórgia entre os estados que elegeram uma mulher para o governo pela primeira vez.

A eleição de Bottoms tem significado especial para a região metropolitana de Atlanta, onde a ex-prefeita construiu sua carreira política e mantém uma relação direta com comunidades de diferentes origens.

Novo México elege primeira governadora indígena dos Estados Unidos

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Deb Haaland.

Outro resultado histórico ocorreu no Novo México, com a vitória da democrata Deb Haaland.

Integrante do povo indígena Laguna Pueblo, Haaland tornou-se a primeira mulher indígena eleita governadora na história dos Estados Unidos.

A política já havia conquistado outros marcos importantes. Em 2018, foi uma das primeiras mulheres indígenas eleitas para a Câmara dos Representantes.

Posteriormente, durante o governo do presidente Joe Biden, tornou-se a primeira indígena a ocupar um cargo de secretária no gabinete presidencial, assumindo o Departamento do Interior.

Sua eleição no Novo México amplia a presença indígena em posições de liderança política nacional.

O estado também registrou outra conquista inédita: Haaland e a vice-governadora eleita Stephanie Garcia Richard formarão a primeira chapa composta inteiramente por mulheres de minorias raciais a comandar um governo estadual americano.

Texas terá primeira governadora latina

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Gina Hinojosa

No Texas, a democrata Gina Hinojosa conquistou uma vitória histórica ao derrotar o governador republicano Greg Abbott.

Com o resultado, Hinojosa será a primeira mulher latina a governar o Texas, um dos estados mais populosos e economicamente importantes dos Estados Unidos.

A eleição também representa uma mudança partidária significativa, já que os republicanos controlavam o governo estadual havia mais de três décadas.

A vitória ocorreu em um estado onde temas como imigração, segurança de fronteiras, educação e custo de vida tiveram destaque durante a campanha.

Hinojosa terá pela frente o desafio de administrar um estado com grande diversidade populacional e forte presença de comunidades de origem latino-americana.

Sua eleição integra uma série de resultados que ampliaram a representação de mulheres de diferentes origens étnicas nos cargos executivos estaduais.

Quatro estados elegem mulheres governadoras pela primeira vez

Além das vitórias de Bottoms e Haaland, as eleições de 2026 registraram mudanças importantes em estados que historicamente tiveram pouca participação feminina no comando do Executivo.

Quatro estados elegeram mulheres governadoras pela primeira vez:

  • Geórgia: Keisha Lance Bottoms, do Partido Democrata.

  • Minnesota: Amy Klobuchar, do Partido Democrata.

  • Ohio: Amy Acton, do Partido Democrata.

  • Tennessee: Marsha Blackburn, do Partido Republicano.

No caso de Ohio, Amy Acton é a primeira mulher eleita diretamente para o cargo. O estado já havia sido governado brevemente por Nancy Hollister, que assumiu a função por sucessão entre 1998 e 1999.

No Tennessee, Marsha Blackburn será a primeira mulher a ocupar o governo estadual.

Já em Minnesota, Amy Klobuchar, que construiu uma longa carreira no Senado americano, venceu a disputa e se tornará a primeira governadora do estado.

As vitórias demonstram que o aumento da representação feminina ocorreu em diferentes regiões e envolveu candidatas dos dois principais partidos americanos.

Alasca e Kansas ainda podem ampliar o recorde

Apesar do recorde já confirmado, duas disputas estaduais permanecem em aberto.

No Kansas, a democrata Cindy Holscher disputa o governo com o republicano Ty Masterson.

A diferença entre os candidatos é pequena, e a apuração dos votos restantes será determinante para a definição do resultado.

No Alasca, a republicana Bernadette Wilson também participa de uma disputa ainda não concluída contra o democrata Jonathan Kreiss-Tomkins.

O Alasca utiliza um sistema eleitoral por ordem de preferência, no qual os eleitores podem classificar os candidatos em diferentes posições.

Caso nenhum concorrente alcance a maioria necessária na primeira contagem, os votos podem ser redistribuídos conforme as preferências indicadas nas cédulas.

Se uma ou ambas as candidatas vencerem, o número de mulheres governadoras poderá ultrapassar as 17 já confirmadas.

Mulheres também conquistam marcos históricos no Senado

Os avanços não ficaram restritos aos governos estaduais.

Em Minnesota, a democrata Peggy Flanagan tornou-se a primeira mulher indígena eleita para o Senado dos Estados Unidos.

Integrante da comunidade White Earth Band of Ojibwe, Flanagan derrotou a republicana Michele Tafoya e conquistou uma das cadeiras do estado em Washington.

Em Illinois, a democrata Juliana Stratton também fez história ao vencer a disputa pelo Senado.

Com sua eleição, Illinois será o primeiro estado americano representado simultaneamente por duas senadoras de minorias raciais, já que Stratton dividirá a representação estadual com Tammy Duckworth.

O resultado também permitirá que três mulheres negras ocupem cadeiras no Senado ao mesmo tempo, outro marco para a representação política americana.

Participação feminina cresce, mas desigualdade permanece

Apesar do avanço histórico, as mulheres ainda representarão pouco mais de um terço dos governadores americanos em 2027.

O levantamento da Universidade Rutgers mostra que elas ocuparão pelo menos 34% dos governos estaduais, enquanto os homens continuarão responsáveis pela maioria das administrações.

O cenário é semelhante no Congresso, onde a participação feminina cresceu ao longo das últimas décadas, mas permanece distante da proporção de mulheres na população americana.

A presença feminina também varia consideravelmente entre os partidos.

Entre as governadoras que estarão no cargo em 2027, a maioria pertence ao Partido Democrata, embora o Partido Republicano também tenha registrado vitórias importantes, como a de Marsha Blackburn no Tennessee.

Pesquisadores destacam que o crescimento da participação feminina depende de fatores como recrutamento partidário, financiamento de campanhas, experiência política e oportunidades eleitorais.

Resultados refletem mudanças na política americana

As eleições de 2026 ocorreram em um contexto de forte disputa política nacional, com temas como economia, imigração, segurança, direitos civis e custo de vida entre as principais preocupações dos eleitores.

A vitória de candidatas em estados tradicionalmente conservadores também chamou a atenção de analistas, especialmente diante do desempenho do Partido Democrata em diferentes regiões do país.

Entretanto, especialistas ressaltam que o aumento da diversidade entre os eleitos não significa necessariamente consenso sobre políticas públicas.

As novas governadoras terão prioridades distintas e enfrentarão desafios relacionados à composição dos legislativos estaduais, às condições econômicas e às demandas específicas de suas populações.

Ainda assim, os resultados representam uma mudança importante na composição dos governos estaduais americanos.

Recorde marca nova etapa da representação feminina nos EUA

O número de mulheres à frente dos estados americanos cresceu de forma significativa nas últimas décadas.

Durante grande parte da história dos Estados Unidos, o comando dos governos estaduais foi ocupado quase exclusivamente por homens.

A eleição de 2026 representa uma nova etapa desse processo, com vitórias inéditas de mulheres negras, indígenas e latinas, além de conquistas em estados que nunca haviam elegido uma governadora.

Com pelo menos 17 mulheres confirmadas para 2027, os Estados Unidos atingem o maior nível de representação feminina simultânea nos governos estaduais de sua história.

O resultado definitivo das eleições no Alasca e no Kansas ainda poderá ampliar essa marca.

Independentemente dessas disputas, o pleito de meio de mandato de 2026 já entrou para a história americana pela quantidade de mulheres eleitas e pela diversidade das candidatas que conquistaram cargos de liderança.

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Nellie Tayloe Ross, a primeira governadora dos EUA, eleita em 1924 pelo Wyoming. — Foto: Wyoming State Files