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FBI prende homem acusado de enviar mais de 700 cartas com pó branco e ameaças nos EUA
Estados Unidos | Política e Justiça

FBI prende homem acusado de enviar mais de 700 cartas com pó branco e ameaças nos EUA

Suspeito foi identificado como Robin Martin, de Oklahoma. Correspondências foram enviadas a autoridades eleitorais, parlamentares e órgãos federais às vésperas das eleições americanas. Análises iniciais identificaram farinha e fermento nas substâncias examinadas.


Um homem de Oklahoma foi preso pelo FBI, acusado de enviar centenas de cartas contendo pó branco e mensagens ameaçadoras a autoridades públicas dos Estados Unidos. A prisão ocorreu na segunda-feira (2), um dia antes das eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3).

O suspeito foi identificado como Robin Martin, morador de Oklahoma City. Segundo documentos judiciais divulgados pelas autoridades federais, ele é investigado por uma série de correspondências suspeitas enviadas durante os períodos eleitorais de 2024 e 2026.

Os investigadores acreditam que mais de 700 cartas estejam relacionadas ao mesmo remetente. Entre os destinatários estavam funcionários responsáveis pela organização das eleições, integrantes do Congresso, institutos de pesquisa, veículos de comunicação e autoridades federais.

As correspondências continham um pó branco inicialmente considerado suspeito. Testes realizados pelo FBI identificaram farinha ou fermento nas amostras analisadas até agora. Entretanto, nem todas as cartas passaram por exames laboratoriais.

Cartas provocaram evacuação de repartições públicas

O envio das correspondências provocou preocupação em diferentes estados americanos e mobilizou equipes especializadas em materiais potencialmente perigosos.

Em outubro, escritórios eleitorais da Louisiana e de Oklahoma precisaram ser evacuados depois do recebimento de envelopes contendo substâncias desconhecidas.

Autoridades de diversos estados, incluindo Flórida, Idaho e Ohio, também relataram o recebimento de cartas suspeitas ou a interceptação de correspondências pelos serviços postais.

O FBI e o Serviço de Inspeção Postal dos Estados Unidos passaram a trabalhar em conjunto para identificar o responsável e impedir que novos envelopes chegassem aos destinatários.

Na ocasião, as autoridades recomendaram que qualquer correspondência semelhante fosse tratada como potencialmente perigosa até a conclusão dos exames.

Apesar de os testes realizados até agora não terem identificado materiais tóxicos, o conteúdo das cartas e as ameaças escritas motivaram a investigação criminal.

Investigação começou com ameaças nas eleições de 2024

De acordo com o FBI, o caso não começou neste ano.

Durante as eleições presidenciais de 2024, funcionários eleitorais de diferentes estados já haviam recebido envelopes contendo pó branco e documentos com mensagens ameaçadoras.

Algumas correspondências incluíam cartas de três páginas com declarações de guerra e acusações de traição contra autoridades públicas.

Os investigadores também identificaram mensagens que só podiam ser visualizadas com o uso de luz ultravioleta.

Parte das cartas apresentava um endereço de remetente associado a uma suposta organização denominada United States Traitor Elimination Army, ou Exército de Eliminação de Traidores dos Estados Unidos.

Segundo os documentos judiciais, o endereço utilizado não correspondia à verdadeira identidade do remetente.

As correspondências enviadas em 2024 e 2026 apresentavam semelhanças, incluindo ameaças de prisão por traição contra os destinatários.

Imagens de câmeras e impressões digitais ajudaram o FBI

A investigação reuniu diferentes elementos que levaram as autoridades até Robin Martin.

Segundo o FBI, imagens de câmeras de segurança mostram o veículo do suspeito passando por unidades dos Correios em Oklahoma City, Dallas e San Antonio durante outubro.

Os investigadores também identificaram impressões digitais atribuídas a Martin em uma carta endereçada ao diretor do FBI, Kash Patel.

Outras evidências incluíram registros de deslocamento e informações relacionadas à preparação das correspondências.

Os documentos judiciais mencionam ainda mensagens publicadas em uma lista de e-mails associada à organização Democratic Socialists of America.

De acordo com os investigadores, Martin teria utilizado o nome George Livingston para enviar ameaças a integrantes do grupo, acusando-os de traição e fazendo referências à votação de 3 de novembro.

A ligação entre essas mensagens e as cartas enviadas pelo correio faz parte das acusações apresentadas pelas autoridades federais.

Suspeito enfrenta acusações federais

Robin Martin foi acusado formalmente de transmitir informações falsas relacionadas a ameaças e de enviar comunicações ameaçadoras pelo serviço postal.

As acusações foram apresentadas à Justiça Federal em Oklahoma City.

O suspeito foi preso na segunda-feira e tinha sua primeira audiência judicial prevista para esta terça-feira.

Até a divulgação das informações, os registros judiciais consultados pela imprensa americana não identificavam um advogado responsável por sua defesa.

As acusações ainda deverão ser examinadas pela Justiça, e Martin tem direito à presunção de inocência durante o processo.

Segurança eleitoral ganha atenção durante votação nos EUA

A prisão acontece em um momento de atenção reforçada à segurança das eleições americanas.

Nesta terça-feira (3), milhões de eleitores vão às urnas para escolher os integrantes da Câmara dos Representantes, parte do Senado e representantes estaduais e locais.

As eleições de meio de mandato definirão o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump.

O envio de cartas suspeitas a funcionários eleitorais provocou preocupação porque esses profissionais são responsáveis pela organização e pelo funcionamento da votação.

Em comunicado divulgado durante a investigação, representantes de organizações nacionais de autoridades eleitorais condenaram as ameaças contra os trabalhadores envolvidos no processo.

Embora o pó examinado até agora não tenha apresentado risco químico ou biológico identificado, as autoridades ressaltam que correspondências ameaçadoras podem provocar interrupções no funcionamento de repartições públicas e mobilizar recursos de emergência.

O FBI continua investigando a extensão dos envios e verificando se todas as correspondências atribuídas ao suspeito estão relacionadas ao mesmo caso.