A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência do Brasil provocou reações entre figuras próximas ao governo dos Estados Unidos. Donald Trump Jr., filho do presidente americano Donald Trump, compartilhou nas redes sociais uma publicação que compara Lula a Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela.
A manifestação ocorreu no domingo, 25 de outubro, durante a apuração do segundo turno das eleições brasileiras, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que ampliou o horário de votação em todo o país.
Segundo reportagens do UOL, Poder360 e CNN Brasil, Trump Jr. compartilhou uma mensagem publicada pelo advogado Martin De Luca, que atua em processos envolvendo empresas ligadas ao presidente americano.
Na publicação, De Luca questionou a legalidade da prorrogação da votação e sugeriu que a decisão poderia comprometer a legitimidade do resultado eleitoral.
As acusações não foram acompanhadas de evidências que comprovassem manipulação de votos.
Advogado comparou Lula ao ex-presidente da Venezuela
Martin De Luca publicou uma série de críticas à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a continuidade da votação até as 19h.
O advogado questionou o fato de Zanin ter atuado anteriormente na defesa de Lula em processos relacionados à Operação Lava Jato.
De Luca também afirmou que o presidente brasileiro havia recorrido ao Supremo antes de aguardar uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em uma das passagens mais repercutidas, o advogado questionou se Lula estaria se tornando o próximo Nicolás Maduro.
A comparação fez referência ao ex-presidente venezuelano, cuja trajetória política foi marcada por denúncias de autoritarismo e disputas sobre a legitimidade de processos eleitorais.
De Luca também alegou que uma eventual vitória de Lula poderia não ser reconhecida internacionalmente como resultado de uma eleição livre e justa.
A afirmação representa a opinião do advogado e não uma conclusão de organismos internacionais ou da Justiça Eleitoral brasileira.
Donald Trump Jr. critica imprensa americana
Ao compartilhar a publicação, Donald Trump Jr. direcionou suas críticas principalmente à cobertura da imprensa dos Estados Unidos.
O empresário afirmou que, caso um governo conservador brasileiro tivesse tomado a mesma decisão, os principais veículos de comunicação americanos teriam reagido de maneira muito mais intensa.
Segundo Trump Jr., a imprensa estaria evitando questionamentos sobre o episódio por razões políticas.
A manifestação foi publicada em sua conta oficial na rede social X.
Embora tenha compartilhado a comparação entre Lula e Maduro, a frase foi originalmente escrita por Martin De Luca. Trump Jr. não utilizou diretamente essa expressão em seu próprio comentário.
A distinção é importante porque a publicação do filho do presidente americano reforçou a repercussão das acusações, mas não significa que ele tenha sido o autor de todas as declarações compartilhadas.
Entenda por que a votação foi prorrogada até as 19h
A controvérsia começou quando dificuldades de transporte e problemas provocados por chuvas em diferentes regiões do Brasil levaram as campanhas presidenciais a solicitar mudanças no horário de votação.
Inicialmente, o encerramento estava previsto para as 17h.
Segundo levantamento publicado pelo Poder360, a campanha de Lula apresentou um pedido ao TSE às 13h22, mencionando problemas de transporte em municípios da Bahia.
Às 15h42, a equipe petista ampliou a solicitação para todo o território nacional.
Poucos minutos depois, às 15h50, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também apresentou um pedido de prorrogação, mas restrito a 19 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A equipe do senador mencionou chuvas, alagamentos, interrupções de energia e dificuldades de acesso às seções eleitorais.
Às 16h22, a campanha de Lula recorreu ao STF, solicitando a ampliação do horário de votação em todo o país.
O processo foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin, que autorizou a medida. A decisão foi divulgada por volta das 17h.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, posteriormente orientou o cumprimento da determinação judicial, mantendo abertas as seções eleitorais abrangidas pela decisão até as 19h.
A sequência dos acontecimentos provocou questionamentos sobre a competência para decidir a prorrogação, já que a organização das eleições é atribuição da Justiça Eleitoral.
Flávio Bolsonaro anuncia contestação do resultado
Após a confirmação da vitória de Lula, Flávio Bolsonaro declarou que não reconheceria o resultado e anunciou a intenção de solicitar a anulação da eleição.
O senador argumentou que a intervenção do STF no horário de votação comprometeria a legitimidade do processo.
Segundo a CNN Brasil, Jason Miller, conselheiro político de Donald Trump, também repercutiu o pronunciamento de Flávio nas redes sociais, divulgando uma versão em inglês de suas declarações.
Apesar dos questionamentos, a vitória de Lula foi confirmada pela Justiça Eleitoral.
De acordo com a apuração oficial, o presidente recebeu aproximadamente 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro.
A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Até o momento, as alegações divulgadas por aliados de Flávio Bolsonaro e por figuras ligadas ao governo americano não foram acompanhadas de provas que demonstrassem alteração fraudulenta do resultado.
A contestação política ou judicial de uma eleição não implica, por si só, a invalidação dos votos contabilizados.
Donald Trump ainda não comentou a vitória de Lula
Embora seu filho tenha se manifestado publicamente, o presidente Donald Trump ainda não havia comentado a reeleição de Lula até a manhã desta segunda-feira, 26 de outubro.
Segundo a CNN Brasil e o UOL, Trump retornou à Casa Branca na noite de domingo sem conversar com jornalistas sobre o resultado brasileiro.
Durante a campanha, o presidente americano afirmou que acompanhava a eleição com atenção, mas evitou declarar formalmente apoio a um dos candidatos na reta final da disputa.
A relação entre os governos brasileiro e americano tem sido marcada por divergências comerciais e políticas, especialmente em relação às tarifas de importação e à autonomia diplomática do Brasil.
Lula e Trump também apresentam posições diferentes sobre temas internacionais e sobre a atuação dos Estados Unidos na América Latina.
A reeleição do presidente brasileiro para um quarto mandato mantém essas diferenças no centro das discussões sobre o futuro da relação entre Brasília e Washington.
Repercussão amplia debate sobre influência americana nas eleições brasileiras
A manifestação de Donald Trump Jr. ocorre em um momento de intensa discussão sobre a influência de políticos e empresários americanos na política brasileira.
Durante a campanha presidencial, integrantes da família Bolsonaro buscaram aproximação com setores conservadores dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, Lula criticou o que classificou como tentativas de interferência externa em decisões internas do Brasil.
A publicação compartilhada por Trump Jr. acrescenta um novo episódio a esse cenário, ao levar questionamentos sobre a eleição brasileira ao debate político americano.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação de que o governo dos Estados Unidos tivesse adotado oficialmente as acusações feitas por Martin De Luca.
A posição de Donald Trump Jr., embora politicamente relevante por sua proximidade com o presidente americano, não representa automaticamente uma manifestação diplomática da Casa Branca.
Com a reeleição confirmada, o Brasil se prepara para o início do quarto mandato de Lula, previsto para janeiro de 2027, enquanto a repercussão internacional da disputa continua.
