ESTADOS UNIDOS | SEGURANÇA | 15 DE OUTUBRO DE 2026
Criminosos fingiram ser funcionários de uma prisão e exigiram dinheiro para libertar o filho de um casal da Flórida. A fraude segue um método conhecido dos brasileiros: provocar medo e urgência para conseguir transferências bancárias.
Um golpe que utiliza uma estratégia conhecida de muitos brasileiros também está fazendo vítimas nos Estados Unidos. Um casal da Flórida perdeu US$ 6.500 após receber ligações de criminosos que fingiam ser funcionários de uma prisão e afirmavam que o filho das vítimas havia sido detido.
O caso terminou com a prisão de Johnay Monique Barnett, de 37 anos, moradora de Roswell, na Geórgia, acusada de envolvimento na fraude. Ela foi encaminhada à cadeia do Condado de Monroe na terça-feira (13).
A abordagem apresenta semelhanças com o chamado golpe do falso sequestro, conhecido no Brasil, no qual criminosos inventam uma emergência envolvendo familiares para provocar desespero e pressionar as vítimas a enviar dinheiro rapidamente.
No caso americano, porém, os golpistas utilizaram uma história diferente: a suposta prisão do filho e a necessidade de pagar por uma tornozeleira eletrônica.
Ligação sobre suposta prisão do filho terminou em prejuízo de US$ 6.500
A fraude começou em dezembro de 2025, quando um casal de Key Haven, comunidade próxima a Key West, no sul da Flórida, recebeu ligações de pessoas que se apresentavam como funcionários da prisão do Condado de Seminole.
Durante as chamadas, os criminosos afirmaram que o filho das vítimas havia sido preso e precisava de uma tornozeleira eletrônica para ser liberado.
Para resolver a situação, exigiram o pagamento de US$ 6.500.
Acreditando que estavam ajudando o filho, as vítimas realizaram a transferência pelo Zelle, serviço de pagamentos digitais amplamente utilizado nos Estados Unidos.
O golpe explorou uma situação de preocupação familiar, criando a impressão de que o dinheiro precisava ser enviado imediatamente.
Golpistas voltaram a ligar e exigiram mais US$ 9 mil
Depois de receberem o primeiro pagamento, os criminosos fizeram uma nova tentativa.
Eles entraram novamente em contato com o casal e exigiram mais US$ 9 mil, alegando novas despesas relacionadas à suposta situação do filho.
Foi nesse momento que as vítimas começaram a desconfiar.
O casal recusou a segunda transferência e procurou a polícia para denunciar o ocorrido.
A investigação identificou indícios de fraude e iniciou o rastreamento do dinheiro enviado.
Até o momento, não foi divulgado se os US$ 6.500 foram recuperados.
Golpe lembra uma fraude antiga e conhecida no Brasil
Embora o caso tenha ocorrido nos Estados Unidos, o método utilizado pelos criminosos é semelhante ao de golpes conhecidos no Brasil, especialmente o falso sequestro e as falsas emergências familiares.
Nessas fraudes, os criminosos normalmente entram em contato por telefone, apresentam uma história alarmante envolvendo alguém próximo e tentam impedir que a vítima tenha tempo de verificar as informações.
A principal ferramenta dos golpistas é a pressão psicológica.
No Brasil, uma das versões mais conhecidas envolve criminosos que afirmam ter sequestrado um familiar e exigem dinheiro para libertá-lo. Também existem abordagens em que os golpistas se passam por policiais, advogados ou representantes de instituições.
Nos Estados Unidos, a mesma lógica pode aparecer em histórias envolvendo prisões, fianças, mandados judiciais e supostas cobranças oficiais.
Atenção: uma ligação dizendo que um familiar foi preso não significa que a informação seja verdadeira. Antes de realizar qualquer pagamento, é fundamental confirmar a situação diretamente com o órgão responsável.
Investigação chegou a mulher de 37 anos na Geórgia
O Gabinete do Xerife do Condado de Monroe conduziu a investigação com apoio de autoridades da Geórgia.
Participaram das diligências o Gabinete do Xerife do Condado de Forsyth e os departamentos de polícia de Atlanta e Alpharetta.
Os investigadores também contaram com a colaboração de instituições financeiras para analisar registros bancários e identificar movimentações relacionadas ao dinheiro transferido.
O trabalho incluiu a análise de imagens de câmeras de segurança e gravações de câmeras corporais utilizadas em ocorrências anteriores envolvendo suspeitas de fraudes semelhantes.
As evidências reunidas levaram à identificação de Johnay Monique Barnett e à emissão de um mandado de prisão.
A suspeita foi transferida para o Condado de Monroe em 13 de outubro.
Suspeita pode responder por furto de grande valor
Johnay Monique Barnett enfrenta uma acusação de grand theft, classificação utilizada pela legislação da Flórida para determinados crimes de furto envolvendo valores elevados.
Segundo informações divulgadas pela revista People, a fiança foi estabelecida em US$ 30 mil, e uma audiência judicial estava prevista para 29 de outubro.
A prisão não representa condenação. Barnett tem direito à presunção de inocência e à ampla defesa.
As autoridades ainda não divulgaram se outras pessoas poderão responder pela fraude.
Como se proteger do golpe da falsa prisão nos Estados Unidos
Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos, é importante reconhecer os sinais de uma fraude que pode utilizar métodos semelhantes aos já conhecidos no Brasil.
1. Desligue e confirme a informação
Se alguém disser que seu filho ou outro familiar foi preso, encerre a ligação e procure diretamente a prisão ou o departamento policial por um número oficial.
2. Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro
Criminosos costumam pressionar as vítimas para que não tenham tempo de pensar ou consultar outras pessoas.
3. Não transfira dinheiro sem verificar
Pagamentos pelo Zelle e por outros aplicativos podem ser difíceis de recuperar, especialmente quando a própria vítima autoriza a transação.
4. Entre em contato com o familiar
Sempre que possível, ligue diretamente para a pessoa supostamente envolvida na emergência ou para alguém de confiança que possa confirmar sua situação.
5. Denuncie e avise seu banco
Se realizou uma transferência suspeita, comunique imediatamente a instituição financeira, guarde os comprovantes e registre a ocorrência policial.
O caso investigado na Flórida mostra como criminosos podem adaptar golpes conhecidos a diferentes países, utilizando instituições locais e ferramentas de pagamento populares para tornar as histórias mais convincentes.
A orientação principal é simples: antes de enviar dinheiro para resolver uma suposta emergência familiar, confirme os fatos por canais independentes.
