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Governo Trump teria organizado viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA, revela jornal americano NYT
Estados Unidos | Brasil | Política

Governo Trump teria organizado viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA, revela jornal americano NYT

Segundo o The New York Times, um assessor da Casa Branca providenciou o jato particular utilizado pelo senador para deixar a América do Sul. O presidente americano também teria autorizado sua entrada no país por meio de um benefício migratório temporário.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrantes de seu governo participaram dos preparativos que permitiram ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixar o Brasil e chegar à Flórida, segundo uma investigação publicada pelo jornal americano The New York Times nesta quinta-feira (29).

A reportagem afirma que o jato particular utilizado pelo parlamentar foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca e aliado político da família Bolsonaro. A operação teria sido organizada após autoridades brasileiras determinarem a entrega dos passaportes do senador, que é investigado pela Polícia Federal.

Além do apoio logístico, o governo americano autorizou a entrada de Flávio e de seus familiares nos Estados Unidos por meio de um mecanismo migratório temporário conhecido como parole.

As informações foram atribuídas pelo jornal a autoridades americanas e pessoas com conhecimento dos preparativos da viagem. Parte das fontes falou sob condição de anonimato devido à sensibilidade diplomática do caso.

Assessor da Casa Branca teria providenciado avião particular

De acordo com o The New York Times, Jason Miller participou da organização do transporte aéreo que levou Flávio Bolsonaro e sua família aos Estados Unidos.

Miller é um estrategista político próximo de Donald Trump e mantém relações com integrantes da família Bolsonaro há vários anos.

Segundo uma pessoa familiarizada com a logística da viagem, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e residente nos Estados Unidos, manteve contato com Miller durante os preparativos.

O plano teria começado a ser executado na segunda-feira (26), depois que autoridades brasileiras determinaram a entrega dos documentos de viagem do senador.

Flávio atravessou a fronteira brasileira com a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas.

Posteriormente, o grupo embarcou em um jato particular com destino ao Equador, onde a aeronave realizou uma parada para reabastecimento antes de seguir para Miami.

A família desembarcou na manhã de quarta-feira (28) no Aeroporto Executivo de Opa-locka, na região metropolitana de Miami.

Procurado pelo jornal americano, Jason Miller não comentou sua participação nos preparativos. A Casa Branca também não apresentou esclarecimentos específicos sobre a contratação ou disponibilização da aeronave.

Trump teria autorizado entrada com status migratório especial

Outro ponto destacado pela investigação envolve a situação migratória de Flávio Bolsonaro.

Segundo autoridades americanas ouvidas pelo The New York Times, o senador e seus familiares receberam autorização para entrar nos Estados Unidos por meio do mecanismo conhecido como parole.

Esse instrumento permite a entrada temporária de estrangeiros em circunstâncias específicas, geralmente relacionadas a razões humanitárias urgentes ou a um benefício público significativo.

O parole não equivale à concessão de residência permanente nem significa, por si só, que a pessoa recebeu asilo político.

De acordo com a reportagem, a autorização foi concedida após uma determinação do presidente Donald Trump.

Questionado sobre a chegada de Flávio, o presidente americano confirmou publicamente que o governo havia permitido sua entrada.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) informou que o senador e os familiares passaram pelos procedimentos de inspeção da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e foram liberados conforme as normas migratórias aplicáveis.

O governo americano não detalhou publicamente quais circunstâncias justificaram a concessão do benefício temporário.

Passaporte diplomático cancelado aparece em registros americanos

A investigação também levantou questionamentos sobre os documentos apresentados pelo senador às autoridades migratórias dos Estados Unidos.

Segundo o The New York Times, um registro público americano indica que Flávio pode ter utilizado um passaporte diplomático brasileiro que já havia sido cancelado.

O documento mencionado no registro possui numeração correspondente a informações públicas relacionadas ao passaporte diplomático do parlamentar.

No Brasil, as autoridades haviam determinado a entrega dos passaportes de Flávio em razão de investigações em andamento.

Após o descumprimento do prazo estabelecido, os documentos foram cancelados e foi emitido um alerta para impedir sua saída do território nacional.

A reportagem americana não esclareceu se a apresentação do documento cancelado influenciou a decisão das autoridades migratórias dos Estados Unidos.

Também não há informação pública de que o senador tenha sido acusado formalmente de irregularidade migratória pelas autoridades americanas.

Polícia Federal investiga saída do Brasil

A viagem aconteceu em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal brasileira.

Uma das apurações envolve possíveis vínculos do senador com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a plataformas de apostas.

Flávio também é mencionado em outra investigação envolvendo recursos destinados ao financiamento de uma produção audiovisual sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador não havia sido formalmente denunciado por esses fatos até a publicação da reportagem americana.

Após a determinação judicial para entrega de seus passaportes, Flávio deixou o Brasil por via terrestre, atravessando a fronteira com a Argentina.

As autoridades migratórias argentinas confirmaram que ele e sua família ingressaram no país na noite de terça-feira.

A Polícia Federal brasileira informou que não possuía registro oficial da saída do parlamentar e passou a investigar as circunstâncias do descumprimento das restrições judiciais.

O órgão também esclareceu que a situação não significava automaticamente que Flávio fosse considerado foragido, uma vez que não havia mandado de prisão contra ele.

Residência permanente poderá ser solicitada nos EUA

O The New York Times informou que o senador poderá solicitar futuramente a residência permanente americana, conhecida como green card.

Uma autoridade do governo Trump afirmou ao jornal que o eventual processo poderá receber tratamento acelerado, semelhante ao concedido anteriormente a Eduardo Bolsonaro.

Eduardo, que vive no Texas, obteve residência permanente nos Estados Unidos em julho, segundo a reportagem.

A concessão de um green card, entretanto, depende de procedimentos e requisitos próprios da legislação migratória americana.

A expectativa relatada por uma autoridade não representa confirmação de que Flávio já tenha recebido residência permanente.

Até o momento, sua situação foi descrita como uma autorização temporária de entrada e permanência.

Flávio afirma que deixou o Brasil por perseguição política

Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta nas redes sociais na qual afirmou ser vítima de perseguição política e judicial no Brasil.

O senador agradeceu a Donald Trump e ao presidente argentino Javier Milei pelo apoio recebido.

Na primeira versão do documento, Flávio apresentou-se como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar de ter sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial.

Posteriormente, a publicação foi retirada do ar e substituída por outra versão, na qual o senador passou a se identificar como líder do Brasil.

Flávio também questionou a legitimidade do resultado eleitoral, sem apresentar provas de fraude capazes de sustentar suas alegações.

As autoridades eleitorais brasileiras afirmaram que o resultado refletiu a votação e observadores internacionais reconheceram a integridade do processo.

O senador declarou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos.

Trump volta a questionar eleição brasileira

A divulgação da investigação ocorre em um momento de tensão diplomática entre Washington e Brasília.

Nesta quinta-feira (29), Donald Trump voltou a criticar a eleição presidencial brasileira e afirmou que pretende conversar com Lula.

Questionado sobre o reconhecimento da vitória do presidente brasileiro, Trump classificou a eleição como uma vergonha, mas não apresentou evidências de irregularidades que comprometessem o resultado.

O governo americano ainda não havia anunciado oficialmente o reconhecimento da reeleição de Lula.

A proximidade política entre Trump e a família Bolsonaro já havia provocado atritos diplomáticos durante o processo eleitoral brasileiro.

O presidente americano também foi alvo de críticas por suas manifestações sobre decisões do Supremo Tribunal Federal e por medidas adotadas pelo Departamento de Estado em relação ao Brasil.

Revelações podem ampliar tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos

A participação de integrantes da Casa Branca na viagem de Flávio Bolsonaro acrescenta uma nova dimensão às relações entre os dois países.

A reportagem do The New York Times indica que o apoio americano não se limitou a declarações públicas de solidariedade política, mas teria incluído providências logísticas e migratórias para viabilizar a chegada do senador aos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, permanecem questões sem esclarecimento público, como a origem do financiamento da aeronave, os critérios utilizados para a concessão do benefício migratório e o eventual envolvimento de outros integrantes do governo americano.

Não há confirmação de que a operação tenha envolvido recursos públicos dos Estados Unidos.

As autoridades brasileiras continuam apurando as circunstâncias da saída de Flávio do país, enquanto o governo americano mantém sua autorização de permanência temporária.

O caso poderá gerar novos desdobramentos judiciais e diplomáticos, especialmente diante das investigações em andamento no Brasil e da possibilidade de o senador solicitar residência permanente nos Estados Unidos.