BRASIL | POLÍTICA E TECNOLOGIA | 15 DE OUTUBRO DE 2026
Denúncia apresentada pela campanha de Lula aponta possível tratamento desigual entre candidatos à Presidência. Presidente do TSE convocou representantes da Meta para discutir o funcionamento da inteligência artificial durante o segundo turno.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, convocou representantes da Meta para uma reunião nesta quinta-feira (15), em Brasília, após denúncias de possível tratamento desigual entre os candidatos à Presidência da República nas ferramentas de inteligência artificial da empresa.
O questionamento envolve a Meta AI, assistente virtual integrada ao WhatsApp, que, segundo relatos apresentados à Justiça Eleitoral, estaria permitindo a criação de imagens de campanha favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL), mas recusando solicitações semelhantes envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A controvérsia ocorre durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e levanta dúvidas sobre a aplicação das regras de geração de conteúdo político por inteligência artificial.
De acordo com o Metrópoles, o encontro foi convocado para discutir falhas técnicas e possíveis vieses nas ferramentas digitais da companhia durante o período eleitoral.
IA teria permitido imagens de Flávio Bolsonaro e bloqueado pedidos sobre Lula
A denúncia foi apresentada pela campanha de Lula, que questionou o funcionamento da inteligência artificial da Meta diante de respostas diferentes para solicitações relacionadas aos dois candidatos.
Segundo os relatos, a ferramenta conseguia gerar imagens associando o nome de Flávio Bolsonaro ao número 22, utilizado pelo PL nas urnas.
Entretanto, quando recebia comandos semelhantes envolvendo Lula e o número 13, do PT, a assistente virtual recusava a criação do material.
A diferença de comportamento foi registrada em testes realizados pelo jornalista Alfredo Henrique, do Metrópoles.
Em um dos testes divulgados, a Meta AI recusou a solicitação de uma imagem com a expressão “Lula 13”. Pouco depois, a ferramenta produziu uma arte contendo o nome “Flavio” e o número 22.
Os resultados motivaram questionamentos sobre a consistência das restrições aplicadas pela empresa.
Os testes relatados demonstram uma diferença nas respostas observadas, mas não são suficientes, isoladamente, para comprovar favorecimento deliberado a qualquer candidato.
Kassio Nunes Marques convoca representantes da Meta
Diante das denúncias, o presidente do TSE convocou representantes da empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp para prestar esclarecimentos.
A reunião em Brasília teve como foco o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial durante a campanha eleitoral e as providências adotadas para evitar tratamento desigual.
Segundo o Metrópoles, os representantes da Meta apresentaram justificativas técnicas e informaram medidas destinadas a corrigir o comportamento identificado.
A Justiça Eleitoral busca esclarecer se as restrições são aplicadas de maneira uniforme e se eventuais falhas podem interferir na produção de materiais políticos durante o período de votação.
Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que o TSE tenha concluído pela existência de favorecimento intencional por parte da empresa.
Meta afirma que proibiu temporariamente imagens de candidatos
Em nota enviada ao Metrópoles na quarta-feira (14), a Meta afirmou que adotou restrições temporárias para impedir a geração de imagens de candidatos e recomendações eleitorais por meio de sua inteligência artificial.
A companhia declarou que a decisão foi tomada para cumprir as regras eleitorais brasileiras.
“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles”, informou a empresa.
A Meta acrescentou que implementou medidas adicionais para bloquear solicitações que utilizassem apenas o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números nas urnas.
A explicação, entretanto, não esclareceu especificamente por que os testes divulgados pelo Metrópoles apresentaram respostas diferentes para os dois candidatos.
Diferença nas respostas levanta debate sobre neutralidade da inteligência artificial
O caso coloca em discussão a forma como sistemas de inteligência artificial aplicam restrições relacionadas a eleições.
Ferramentas como a Meta AI funcionam a partir de modelos de linguagem e mecanismos de segurança que interpretam os comandos enviados pelos usuários.
Dependendo da maneira como essas restrições são implementadas, solicitações semelhantes podem receber respostas diferentes.
Essa inconsistência pode resultar de falhas técnicas, diferenças na interpretação dos comandos ou problemas na aplicação dos filtros de segurança.
Por isso, a identificação de resultados distintos não significa necessariamente que exista uma decisão deliberada da empresa de favorecer determinado candidato.
A apuração do TSE deverá considerar as explicações técnicas apresentadas pela Meta e as evidências relacionadas ao funcionamento da ferramenta.
Caso ocorre na reta final do segundo turno presidencial
A discussão ganhou relevância por ocorrer durante o segundo turno das eleições de 2026, quando conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial podem circular rapidamente por aplicativos de mensagens e redes sociais.
O WhatsApp tem grande alcance no Brasil e é utilizado tanto para conversas privadas quanto para a distribuição de informações políticas.
Nesse contexto, eventuais diferenças na aplicação de regras sobre conteúdo eleitoral podem gerar questionamentos sobre a igualdade de tratamento entre candidatos.
O TSE acompanha o uso de tecnologias digitais nas campanhas e a aplicação das normas eleitorais pelas plataformas.
A expectativa é que os esclarecimentos técnicos permitam identificar a origem das respostas divergentes e verificar se as medidas anunciadas pela Meta são suficientes para corrigir o problema.
Até a divulgação das informações sobre a reunião, não havia confirmação de sanções contra a empresa relacionadas ao episódio.
