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ICE ficou sem dados atualizados sobre abortos espontâneos

ICE ficou sem dados atualizados sobre abortos espontâneos


Documentos registram 18 perdas gestacionais em custódia de janeiro a setembro de 2025; governo diz manter protocolo de atendimento, mas confirmou uma lacuna posterior.

Categoria: Estados Unidos / Imigração

Documentos obtidos pelo jornal The Guardian mostram que o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, registrou 18 abortos espontâneos entre mulheres sob custódia de janeiro a setembro de 2025. A agência, porém, não possui dados atualizados sobre essas ocorrências no período entre outubro de 2025 e junho de 2026.

As informações foram liberadas depois de um pedido baseado na Lei de Acesso à Informação e de uma ação judicial. Os arquivos acompanham o número de mulheres grávidas, no período pós-parto ou amamentando em centros de detenção, mas os registros de perdas gestacionais terminam em 3 de outubro de 2025.

Segundo documentos internos citados pela reportagem, a lacuna surgiu durante a troca do sistema responsável pelo processamento das contas médicas. O contrato com o Veterans Affairs Financial Services Center foi encerrado e substituído por um acordo com a empresa Acentra Health. A implantação do novo sistema sofreu atrasos.

Número de grávidas detidas aumentou

Os registros mostram pelo menos 87 mulheres e adolescentes grávidas sob custódia em outubro de 2025 e 101 em novembro. Esses totais representam pessoas grávidas detidas — não o número de abortos espontâneos.

A reportagem também reuniu relatos de mulheres e advogados sobre dificuldades para obter consultas de pré-natal, atendimento de emergência e acompanhamento depois de complicações. O The Guardian preservou a identidade completa das entrevistadas.

Especialistas ressaltam que não é possível determinar a causa de um aborto espontâneo apenas com esses dados nem afirmar que a detenção provocou cada perda. A preocupação central é saber se as pacientes receberam avaliação e tratamento adequados diante dos sintomas.

Governo diz que política continua em vigor

A diretriz do ICE publicada em 2021 orienta que grávidas, pessoas no pós-parto e mulheres que amamentam geralmente não sejam detidas, exceto quando a liberação é proibida por lei ou existem circunstâncias excepcionais. Quando a custódia ocorre, a política exige monitoramento e reavaliação médica e migratória.

O Departamento de Segurança Interna afirmou ao The Guardian que essa diretriz permanece em vigor e que mulheres grávidas recebem consultas regulares de pré-natal, atendimento de saúde mental, apoio nutricional e acomodações compatíveis com os padrões comunitários. O governo não apresentou ao jornal um total atualizado de abortos espontâneos para o período sem registros.

Fontes: Instagram da Rádio Brazil Atlanta