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Imigrante com green card morre sob custódia do ICE no Texas; família denuncia falta de atendimento médico
Estados Unidos | Imigração

Imigrante com green card morre sob custódia do ICE no Texas; família denuncia falta de atendimento médico

Emiliano Andrade-Covarrubias, de 56 anos, foi encontrado inconsciente em uma cela de um centro de detenção em Laredo. Familiares afirmam que ele tinha problemas cardíacos, diabetes e pressão alta e que não recebeu os medicamentos necessários


A morte de um imigrante de 56 anos sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) está provocando questionamentos sobre as condições de atendimento médico oferecidas a pessoas mantidas em centros de detenção no Texas.

Emiliano Andrade-Covarrubias, que possuía residência permanente legal nos Estados Unidos, foi encontrado inconsciente em sua cela no Rio Grande Processing Center, em Laredo, no sábado, segundo informações divulgadas pelo perfil jornalístico Brown Issues, que repercutiu uma reportagem da organização Democracy Now!.

A família afirma que Emiliano sofria de doenças cardíacas, diabetes e hipertensão e denuncia que ele não recebeu os medicamentos necessários durante o período de detenção.

Os familiares também alegam que seus pedidos de atendimento médico não foram devidamente atendidos, mesmo após ele apresentar sintomas preocupantes.

As circunstâncias da morte levantam dúvidas sobre a assistência prestada ao imigrante antes de ser encontrado inconsciente.

Família afirma que imigrante reclamou de falta de ar e aperto no peito

De acordo com o relato divulgado pela família, Emiliano apresentava condições de saúde que exigiam acompanhamento médico e uso regular de medicamentos.

Sua filha afirma que o pai teve dificuldades para conseguir os remédios necessários enquanto estava detido.

Segundo ela, ele também relatou sensação de aperto no peito e dificuldade para respirar, mas suas queixas não teriam recebido a atenção adequada da equipe médica.

Essas denúncias são graves porque sintomas como dor ou pressão no peito e falta de ar podem indicar emergências médicas, especialmente em pessoas com histórico de doenças cardiovasculares.

Até o momento, as informações apresentadas pela família não estabelecem oficialmente a causa da morte nem comprovam, por si só, que uma eventual falha de atendimento tenha provocado o falecimento.

A confirmação dessas circunstâncias depende de documentos médicos, investigações e informações das autoridades responsáveis.

Família soube da morte pelo instituto médico-legal

Outro ponto questionado pelos familiares é a forma como receberam a notícia da morte.

Estefani Andrade, filha de Emiliano e cidadã americana, afirmou que a família foi informada pelo instituto médico-legal do Condado de Webb, e não diretamente pelas autoridades federais de imigração.

Emiliano vivia havia décadas em Dallas, no norte do Texas, onde trabalhava com pintura de apartamentos e casas. Ele era pai de três filhos nascidos nos Estados Unidos.

Segundo Estefani, o pai havia sido detido em junho, quando tentava retornar aos Estados Unidos após uma viagem ao México. Desde então, permanecia sob custódia migratória.

A filha também relatou que percebeu mudanças na aparência física do pai durante as videochamadas realizadas ao longo da detenção, incluindo perda de peso.

ICE afirma que prestou atendimento e contesta versão da família

O ICE confirmou que Emiliano possuía residência permanente legal, mas alegou que ele havia omitido informações sobre um registro policial de 2004 ao obter seu status migratório. A filha contesta essa versão.

A agência também informou que funcionários encontraram Emiliano inconsciente em sua cama, realizaram manobras de reanimação e acionaram os serviços de emergência. Ele foi declarado morto aproximadamente 20 minutos depois.

Em manifestação sobre o caso, o ICE afirmou que o detido recebeu atendimento médico adequado, declaração contestada pela família.

A causa oficial da morte ainda está sob investigação.

O Rio Grande Processing Center é administrado pela empresa privada GEO Group, que opera instalações de detenção nos Estados Unidos.

Morte é a sétima registrada sob custódia do ICE no Texas em 2026

A morte de Emiliano é a sétima registrada entre pessoas mantidas sob custódia do ICE no Texas neste ano, segundo levantamento divulgado pelo The Texas Tribune.

Também é a segunda morte registrada em uma instalação de detenção migratória em Laredo em 2026.

O deputado federal Henry Cuellar, que representa a região, visitou a unidade após o falecimento e cobrou esclarecimentos sobre os procedimentos médicos adotados.

O parlamentar solicitou informações sobre as condições de detenção, os cuidados oferecidos a Emiliano e as circunstâncias que antecederam sua morte.

O caso também provocou manifestações de representantes políticos e organizações que defendem os direitos de imigrantes.

México acompanha o caso e família pede respostas

Autoridades mexicanas também acompanham a morte de Emiliano, que era cidadão do México.

Segundo reportagem do jornal El País, o governo mexicano anunciou a intenção de apresentar uma denúncia criminal relacionada ao caso.

Enquanto aguarda esclarecimentos, a família criou uma campanha de arrecadação na plataforma GoFundMe para ajudar a pagar as despesas funerárias e de sepultamento.

A morte de Emiliano Andrade-Covarrubias reacende o debate sobre o atendimento médico em centros de detenção migratória e a responsabilidade das autoridades pela segurança das pessoas sob sua custódia.

Para os familiares, a principal questão permanece sem resposta: se Emiliano relatou sintomas graves e precisava de medicamentos contínuos, por que não recebeu, segundo eles, a assistência necessária?

A investigação deverá determinar o que aconteceu nas horas anteriores à morte e se os procedimentos de atendimento médico foram cumpridos.