Uma investigação da Associated Press apontou um aumento sem precedentes de mortes de detentos do U.S. Immigration and Customs Enforcement que tiraram a própria vida desde o início do novo governo de Donald Trump, em janeiro de 2025.
Segundo a reportagem, ao menos 10 imigrantes morreram nessas circunstâncias no período, número considerado recorde na história da agência.
O levantamento analisou relatórios internos do ICE, autópsias, registros policiais e documentos de inspeções realizadas em centros de detenção imigratória espalhados pelos Estados Unidos.
Especialistas ouvidos pela Associated Press afirmam que muitos centros falharam em monitorar adequadamente pessoas em sofrimento psicológico, atrasaram tratamentos de saúde mental e, em alguns casos, permitiram acesso a materiais que poderiam ser utilizados para automutilação.
A investigação também aponta que muitos imigrantes detidos enfrentam isolamento, medo constante da deportação, dificuldade de comunicação por barreiras linguísticas e ausência de assistência jurídica adequada, fatores considerados agravantes para crises emocionais severas.
Segundo a reportagem, sete dos dez imigrantes que morreram não possuíam histórico de crimes violentos nos Estados Unidos. A maioria era de origem hispânica e a média de idade dos detentos era de 32 anos.
O Department of Homeland Security declarou que mortes desse tipo continuam sendo “extremamente raras” e afirmou que os centros de detenção seguem protocolos federais de prevenção, além de oferecer acompanhamento médico e psicológico aos detentos.
A repercussão do caso reacendeu debates entre grupos de direitos humanos, autoridades americanas e organizações ligadas à imigração sobre as condições dentro dos centros de detenção nos Estados Unidos.
