Buscar

Laura Cardoso morre aos 98 anos e Brasil se despede de uma das maiores atrizes de sua história


A atriz Laura Cardoso, uma das grandes referências da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos, na noite de segunda-feira, 17 de agosto, em sua casa, em São Paulo. A morte ocorreu por causas naturais e foi confirmada pela família nas redes sociais da artista.

Nascida em São Paulo em 13 de setembro de 1927, Laura completaria 99 anos no mês seguinte. Sua morte encerra uma trajetória de mais de oito décadas dedicadas à arte, período em que participou da construção da história do rádio e da televisão brasileira.

Família anunciou a despedida nas redes sociais

A notícia foi comunicada pelo bisneto da atriz, Fernando Faria, responsável por administrar seu perfil nas redes sociais. Na despedida, a família escreveu: “Nossa grande estrela se despediu de nós”, agradecendo pela trajetória da artista.

Laura morreu em sua residência na capital paulista. O velório foi realizado na terça-feira (18), em São Paulo, em cerimônia reservada.

Uma carreira que começou antes mesmo da televisão

Laura Cardoso, nome artístico de Laurinda de Jesus Cardoso, começou a carreira ainda adolescente no rádio, antes de a televisão se popularizar no Brasil.

Posteriormente, tornou-se uma das pioneiras da TV brasileira, participando dos primeiros anos dos teleteatros da TV Tupi. Com o passar das décadas, consolidou-se como uma das atrizes mais respeitadas do país, trabalhando também no teatro e no cinema.

Mais de 60 novelas e personagens inesquecíveis

A atriz acumulou dezenas de trabalhos na televisão e ficou conhecida por sua capacidade de interpretar personagens completamente diferentes, passando de mulheres simples e afetuosas a figuras autoritárias e vilãs.

Entre seus trabalhos mais lembrados estão “Mulheres de Areia”, de 1993, na qual interpretou Isaura; “A Viagem”, de 1994, como Guiomar; “Chocolate com Pimenta”, de 2003; “Caminho das Índias”, de 2009; e “Sol Nascente”, de 2016.

Sua última novela foi “A Dona do Pedaço”, exibida pela Globo em 2019. Aos 92 anos, Laura interpretou Matilde, uma idosa com Alzheimer que guardava lembranças importantes para a história da protagonista.

Mesmo depois de se despedir das novelas, ela continuou trabalhando. Em 2025, protagonizou o curta-metragem “Dona Rosinha” e também apareceu na tradicional vinheta de fim de ano da Globo ao lado do bisneto.

Reconhecimento também no teatro e no cinema

Laura Cardoso construiu ainda uma extensa trajetória nos palcos e nas telas de cinema.

Entre seus trabalhos cinematográficos estão produções como “Terra Estrangeira” e “Através da Janela”. Ao longo da carreira, recebeu diversos reconhecimentos pelo trabalho artístico, incluindo prêmios de interpretação e homenagens pelo conjunto da obra.

Artistas prestam homenagens

A morte provocou uma série de homenagens no meio artístico. Fernanda Montenegro, que trabalhou com Laura em “O Outro Lado do Paraíso”, definiu a colega como “insubstituível” ao recordar sua importância para a dramaturgia nacional.

Outros artistas e admiradores também utilizaram as redes sociais para lembrar personagens, histórias e momentos vividos ao lado da veterana.

Brasil perde duas grandes atrizes em poucos dias

A despedida de Laura Cardoso ganhou uma dimensão ainda mais simbólica porque aconteceu praticamente ao mesmo tempo que a morte de Glória Menezes, aos 91 anos.

Laura morreu na noite de 17 de agosto, em São Paulo, e Glória Menezes morreu no dia seguinte, 18 de agosto, no Rio de Janeiro. As duas ajudaram a construir diferentes capítulos da história da televisão brasileira e suas mortes provocaram uma grande onda de homenagens nas redes sociais.

Um legado de oito décadas

Laura Cardoso atravessou praticamente toda a história da televisão no Brasil. Começou quando o rádio ainda dominava o entretenimento nacional, participou dos primeiros anos da TV e permaneceu trabalhando até a velhice.

Foram mais de oito décadas interpretando personagens que acompanharam diferentes gerações de brasileiros.

Aos 98 anos, Laura Cardoso deixa não apenas uma extensa lista de novelas, filmes e peças de teatro, mas um legado que a coloca definitivamente entre os grandes nomes da dramaturgia brasileira.