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Mulher precisa de transplante de fígado após consumir suplemento natural; Anvisa alerta para riscos da ashwagandha
Brasil | Saúde

Mulher precisa de transplante de fígado após consumir suplemento natural; Anvisa alerta para riscos da ashwagandha

Britânica de 44 anos entrou em coma após utilizar gomas com extrato da planta durante aproximadamente um ano. Substância é associada a casos de lesão hepática e não está autorizada para uso em suplementos alimentares no Brasil.


Uma mulher britânica de 44 anos precisou passar por um transplante de fígado após desenvolver uma grave insuficiência hepática, possivelmente associada ao consumo prolongado de um suplemento natural conhecido como ashwagandha.

O caso de Lois Kinder, moradora de Lymm, no condado de Cheshire, no noroeste da Inglaterra, chamou a atenção para os riscos de produtos vendidos como alternativas naturais para reduzir o estresse, melhorar o sono e promover o bem-estar.

Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, Lois consumiu gomas contendo extrato de ashwagandha durante aproximadamente um ano. Após apresentar complicações graves, ela entrou em coma e precisou receber um novo fígado.

Os médicos suspeitam que o suplemento tenha provocado a lesão hepática, embora a relação de causa e efeito em casos individuais dependa de avaliação clínica e da exclusão de outras possíveis causas.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que a ashwagandha não está autorizada como ingrediente de suplementos alimentares, já que sua segurança e eficácia não foram comprovadas para essa finalidade.

Mulher divulgava o suplemento nas redes sociais

Lois Kinder não era apenas consumidora das gomas de ashwagandha.

Segundo a reportagem, ela também divulgava o produto em seu perfil no TikTok e recebia suplementos de empresas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Índia para promover e revender aos seguidores.

A ashwagandha, conhecida cientificamente como Withania somnifera, é uma planta originária de regiões da Ásia e tradicionalmente utilizada em práticas da medicina ayurvédica.

Nos últimos anos, passou a ganhar popularidade nas redes sociais, principalmente por meio de cápsulas, gomas e extratos comercializados com promessas de relaxamento, melhora da qualidade do sono e equilíbrio hormonal.

A aparência de produto natural, associada à facilidade de compra pela internet, contribui para a percepção de que seu consumo não oferece riscos significativos.

Especialistas, entretanto, alertam que substâncias de origem vegetal também podem provocar efeitos adversos, interagir com medicamentos e causar danos a órgãos importantes.

Insuficiência hepática levou paciente ao coma e ao transplante

O quadro de saúde de Lois se agravou após o período de consumo do suplemento.

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa britânica, ela desenvolveu uma lesão hepática grave, que comprometeu progressivamente o funcionamento do fígado.

Uma das manifestações associadas a esse tipo de problema é a icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e da parte branca dos olhos.

Isso acontece quando o fígado não consegue processar e eliminar adequadamente a bilirrubina, substância produzida durante a renovação natural das células sanguíneas.

Quando o órgão perde sua capacidade de funcionamento, podem surgir complicações como alterações na coagulação, acúmulo de substâncias tóxicas no organismo e comprometimento da função cerebral.

No caso da britânica, a insuficiência hepática evoluiu de forma tão grave que o transplante se tornou necessário.

Durante a cirurgia, Lois sofreu três paradas cardíacas relacionadas a um coágulo que bloqueou uma importante artéria dos pulmões, quadro conhecido como embolia pulmonar.

As complicações provocaram danos cerebrais graves, segundo o relato divulgado sobre o caso.

O que é a ashwagandha e por que ela preocupa especialistas?

A ashwagandha é uma planta utilizada há séculos em sistemas tradicionais de medicina, especialmente na Índia.

Seus extratos são comercializados internacionalmente em diferentes apresentações, incluindo cápsulas, pós, comprimidos e gomas mastigáveis.

Entre os benefícios frequentemente anunciados por fabricantes estão a redução do estresse, a melhora do sono e o aumento da disposição.

Entretanto, a existência de estudos sobre determinados efeitos da planta não significa que todos os produtos comercializados sejam seguros ou que suas alegações tenham comprovação científica suficiente.

A concentração dos extratos, a dose utilizada, a composição do produto e o tempo de consumo podem variar consideravelmente.

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de lesão hepática associada ao uso da substância.

Embora esse tipo de complicação não seja considerado comum, há registros médicos de pacientes que desenvolveram alterações importantes no funcionamento do fígado após consumir suplementos contendo ashwagandha.

Estudos médicos já identificaram outros casos de danos ao fígado

O caso da britânica não é o primeiro a levantar preocupações sobre a segurança da planta.

Em 2020, pesquisadores da Islândia e dos Estados Unidos publicaram uma série de cinco casos de pacientes que desenvolveram lesões hepáticas após utilizar suplementos contendo ashwagandha.

Entre os sintomas relatados estavam icterícia intensa e coceira persistente.

Na maioria dos pacientes descritos naquele estudo, os exames apresentaram melhora gradual após a interrupção do consumo, com recuperação ao longo de um a cinco meses.

Entretanto, nem todos os casos registrados na literatura médica tiveram evolução favorável.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, também descreveram um episódio de insuficiência hepática aguda associado ao consumo da planta, com necessidade de transplante.

Uma revisão científica apresentada em 2026 reuniu 37 casos publicados de lesões hepáticas relacionadas à ashwagandha, incluindo ocorrências que terminaram em transplante ou morte.

Esses registros reforçam a necessidade de cautela, especialmente entre pessoas que utilizam suplementos por períodos prolongados ou apresentam doenças preexistentes.

Ashwagandha é proibida em suplementos alimentares no Brasil

No Brasil, a comercialização da ashwagandha como ingrediente de suplementos alimentares não é autorizada pela Anvisa.

A restrição foi reforçada pela agência em novembro de 2022 e está relacionada à ausência de comprovação suficiente de segurança e eficácia para seu uso nessa categoria de produtos.

As regras brasileiras para suplementos alimentares são estabelecidas, entre outras normas, pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243, de 2018.

A regulamentação determina que somente ingredientes autorizados podem ser utilizados na fabricação e comercialização desses produtos.

A ashwagandha não integra a lista de constituintes permitidos.

Apesar da restrição, suplementos contendo a planta ainda podem ser encontrados em anúncios e plataformas de comércio eletrônico acessíveis a consumidores brasileiros.

A Anvisa orienta que a comercialização irregular seja comunicada aos órgãos de vigilância sanitária.

Produtos naturais também podem causar efeitos adversos graves

Um dos principais alertas dos especialistas é que a expressão "natural" não significa necessariamente que um produto seja seguro.

Plantas medicinais possuem substâncias biologicamente ativas, capazes de provocar efeitos no organismo.

Dependendo da composição, da quantidade ingerida e das condições de saúde do consumidor, esses compostos podem desencadear reações adversas ou interagir com medicamentos.

No caso dos suplementos associados a lesões hepáticas, os sinais de alerta podem incluir:

  • Amarelamento da pele ou dos olhos;

  • Urina escura;

  • Náuseas e vômitos persistentes;

  • Cansaço intenso;

  • Dor ou desconforto abdominal;

  • Coceira generalizada;

  • Confusão mental ou sonolência incomum.

A presença desses sintomas exige avaliação médica, especialmente quando existe histórico recente de consumo de suplementos ou medicamentos.

Quadros de confusão mental, desmaio ou alteração importante da consciência devem ser tratados como emergência.

Anvisa alerta contra promessas de cura e tratamento

Além de restringir ingredientes não autorizados, a legislação brasileira estabelece limites para a publicidade de suplementos alimentares.

Esses produtos não podem ser anunciados com promessas de prevenir, tratar ou curar doenças.

A agência também alerta que alegações de benefícios à saúde precisam estar de acordo com as autorizações e os critérios científicos previstos na regulamentação.

A popularização de suplementos nas redes sociais aumentou a exposição dos consumidores a recomendações feitas por influenciadores e vendedores que nem sempre apresentam informações completas sobre riscos e contraindicações.

Por isso, profissionais de saúde recomendam verificar a regularidade dos produtos e buscar orientação antes de iniciar o consumo, principalmente quando há uso contínuo de medicamentos ou histórico de problemas hepáticos.

Caso reforça importância de avaliar riscos antes de consumir suplementos

A experiência de Lois Kinder evidencia como o uso prolongado de um produto apresentado como natural pode estar associado a consequências graves.

Embora os relatos médicos de lesão hepática por ashwagandha sejam relativamente raros, a existência de casos que exigiram transplante demonstra que os riscos não devem ser ignorados.

No Brasil, a orientação da Anvisa permanece clara: a ashwagandha não está autorizada como ingrediente de suplementos alimentares, e sua comercialização nessa categoria é irregular.

Para os consumidores, a principal recomendação é não associar a origem natural de uma substância à ausência de riscos e procurar avaliação médica diante de qualquer reação suspeita.