Uma nova informação aumentou as dúvidas sobre o paradeiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O piloto Mauro Mattosinho afirmou que um funcionário do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, relatou a presença do nome do parlamentar em uma lista de passageiros relacionada a um jato particular que estaria no local.
O relato surge em meio às notícias sobre uma possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador de deixar o território nacional e ordenou a entrega de seus passaportes.
A informação apresentada pelo piloto, entretanto, é indireta. Mattosinho não afirmou ter visto pessoalmente o senador embarcando ou desembarcando da aeronave. Segundo seu relato, a informação teria sido repassada por um funcionário do aeroporto.
Até o momento, não foi apresentada publicamente uma lista de passageiros autenticada que comprove a presença de Flávio Bolsonaro no voo.
O caso também apresenta versões contraditórias. Enquanto surgem relatos sobre uma possível passagem do senador pela Argentina, a Direção Nacional de Migrações do país afirma que não encontrou registros oficiais de sua entrada em território argentino.
A Polícia Federal brasileira, por sua vez, verifica informações sobre possíveis deslocamentos pela fronteira.
O que disse o piloto Mauro Mattosinho?
Segundo o relato atribuído a Mauro Mattosinho, um funcionário do aeroporto de Puerto Iguazú teria informado que Flávio Bolsonaro aparecia entre os passageiros relacionados a um jato particular.
O piloto apresentou a informação em meio à repercussão das notícias sobre a possível saída do senador do Brasil.
O ponto central é que o relato não constitui confirmação independente de embarque.
A presença de um nome em uma lista, caso o documento exista e seja autenticado, não comprova necessariamente que a pessoa tenha embarcado, realizado a viagem ou chegado ao destino previsto.
Para confirmar um deslocamento, seria necessário examinar documentos oficiais, registros de embarque, informações migratórias e outros elementos verificáveis.
Também não há confirmação pública de que Mattosinho tenha tido acesso direto ao documento mencionado.
Por enquanto, a informação permanece como um relato atribuído a uma terceira pessoa.
Jato particular teria aguardado quatro passageiros
A aeronave mencionada nas informações é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, o avião partiu de Buenos Aires na noite de segunda-feira, 26 de outubro, e pousou em Puerto Iguazú pouco antes da meia-noite.
O aeroporto fica próximo à fronteira brasileira, na região de Foz do Iguaçu, no Paraná.
De acordo com Mattosinho, o funcionário do aeroporto teria informado que o jato aguardava quatro passageiros, entre eles o senador brasileiro.
Três pessoas teriam se apresentado por volta de 1h30 da madrugada. A decolagem, inicialmente prevista para as 2h, não teria ocorrido devido a problemas relacionados à documentação.
O piloto relatou que, por volta das 7h, a aeronave ainda permanecia no aeroporto argentino.
Outro detalhe mencionado é que o espaço destinado aos documentos de identificação de Flávio Bolsonaro estaria sem preenchimento na relação de passageiros.
Essas informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo e reproduzidas por outros veículos. Nenhuma delas, isoladamente, comprova que o senador estivesse no aeroporto.
Governo argentino afirma que não houve registro de entrada
A Direção Nacional de Migrações da Argentina divulgou uma nota oficial informando que não encontrou registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país.
O órgão explicou que as autoridades realizaram verificações relacionadas à aeronave particular e à tripulação após a repercussão das notícias.
Segundo o comunicado, a documentação da empresa responsável pelo avião estava regular e não havia sido apresentado plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
O porta-voz do governo argentino, Fabián Fernández, também negou à Deutsche Welle que o senador ou seus familiares tivessem ingressado no país.
A manifestação oficial contrasta com o relato atribuído ao funcionário aeroportuário.
Há, entretanto, uma distinção importante entre uma lista preliminar de passageiros, um plano de voo apresentado às autoridades e um registro migratório efetivo. São documentos e procedimentos diferentes, que não necessariamente comprovam a realização de uma viagem.
Polícia Federal investiga possível passagem pela fronteira
A Polícia Federal brasileira recebeu informações sobre uma suposta tentativa de saída do senador pela Argentina e iniciou verificações junto às autoridades do país vizinho.
Segundo reportagens publicadas nesta terça-feira, investigadores brasileiros entraram em contato com agentes de cooperação internacional para verificar registros de movimentação na região da tríplice fronteira.
Até as informações disponíveis, a corporação não havia identificado uma saída regular de Flávio Bolsonaro pelos postos oficiais de imigração brasileiros.
Isso não confirma que ele esteja no Brasil, mas também não permite afirmar que tenha atravessado a fronteira.
A apuração deverá considerar registros migratórios, dados aeroportuários e eventuais informações sobre os passageiros da aeronave.
Passaportes foram cancelados após decisão do STF
A investigação sobre o possível deslocamento ocorre em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O magistrado determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal no prazo de 24 horas, além de proibir sua saída do território brasileiro.
O senador não apresentou os documentos dentro do prazo estabelecido.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal realizou o cancelamento administrativo dos passaportes.
O cancelamento impede a utilização regular dos documentos para viagens internacionais, mas não comprova que o parlamentar tenha deixado o país.
A eventual confirmação de uma saída do Brasil após a proibição judicial poderá ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme as circunstâncias apuradas.
Relatos contraditórios mantêm dúvidas sobre o paradeiro do senador
Desde a madrugada, diferentes versões sobre a localização de Flávio Bolsonaro vêm sendo divulgadas.
O portal argentino Infobae noticiou que o senador teria atravessado a fronteira para embarcar em um voo privado rumo aos Estados Unidos.
Posteriormente, o governo argentino negou qualquer registro de entrada do parlamentar.
Aliados políticos também apresentaram informações divergentes. Enquanto alguns negaram a viagem, outros afirmaram à imprensa brasileira acreditar que Flávio já estivesse fora do país.
O relato de Mauro Mattosinho acrescenta uma nova informação à apuração, mas não resolve a principal dúvida: se o senador esteve efetivamente em Puerto Iguazú e se embarcou em alguma aeronave.
Até que registros oficiais ou outras evidências verificáveis sejam apresentados, não é possível afirmar que Flávio Bolsonaro tenha viajado pela Argentina.
A Polícia Federal continua apurando as informações sobre a possível passagem pela fronteira e o paradeiro do parlamentar.
