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Policial estadual é preso pelo ICE em aeroporto dos EUA, apesar de ter autorização de trabalho
Estados Unidos | Polícia e Justiça

Policial estadual é preso pelo ICE em aeroporto dos EUA, apesar de ter autorização de trabalho

Agente de 21 anos, nascido na África do Sul, foi detido quando se preparava para embarcar em um voo doméstico no Wisconsin. Ele possui autorização federal de trabalho válida até 2030 e aguarda uma decisão sobre pedido de asilo. Após repercussão do caso, foi liberado sob supervisão, mas continua sujeito a processo de deportação.


Um policial da Patrulha Estadual de Wisconsin, nos Estados Unidos, foi preso por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) enquanto aguardava o embarque em um voo doméstico. O caso chamou a atenção por envolver um profissional que atua na segurança pública americana e possui autorização federal para trabalhar no país.

Carel Aaron Van Der Merwe, de 21 anos, nasceu na África do Sul e chegou legalmente aos Estados Unidos com a família em 2019, quando ainda era adolescente.

Segundo seus advogados, o jovem possui uma autorização de trabalho válida até 2030 e está incluído no pedido de asilo apresentado pelo pai, que permanece pendente de análise pelas autoridades migratórias.

A detenção ocorreu na quinta-feira (5), no Aeroporto Regional do Condado de Dane, em Madison, capital do estado de Wisconsin.

Van Der Merwe pretendia viajar para o Novo México, onde seus pais vivem atualmente.

Após ser detido e encaminhado a uma unidade de imigração no Condado de Dodge, o policial foi liberado na sexta-feira (6), sob condições de supervisão determinadas pelas autoridades federais.

Apesar da liberação, ele permanece sujeito a um processo de deportação.

Policial foi abordado antes de embarcar em voo doméstico

De acordo com o escritório Christopher & De León Immigration and Criminal Law, responsável pela defesa, Van Der Merwe estava no aeroporto quando foi abordado por agentes federais.

O jovem informou aos policiais que trabalhava na Patrulha Estadual de Wisconsin e possuía autorização federal de emprego.

Também explicou que sua família havia solicitado asilo nos Estados Unidos e que o processo ainda aguardava uma decisão.

Segundo o relato apresentado pelos advogados, os agentes não consideraram essas informações suficientes para impedir a detenção.

Van Der Merwe afirmou que foi algemado e transportado para uma unidade de custódia migratória no Condado de Dodge.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) confirmou a operação e informou que a abordagem fazia parte de uma ação direcionada de fiscalização imigratória.

Jovem chegou legalmente aos Estados Unidos em 2019

Segundo a defesa, Van Der Merwe entrou nos Estados Unidos com os pais quando tinha aproximadamente 14 anos.

A família deixou a África do Sul e apresentou um pedido de asilo, alegando temor de perseguição caso precisasse retornar ao país de origem.

O processo permanece pendente há cerca de sete anos.

Enquanto aguarda uma decisão, Van Der Merwe possui um documento de autorização de emprego emitido pelo governo federal americano.

A autorização, segundo os advogados, é válida até 2030.

O jovem também concluiu estudos em justiça criminal no New Mexico Military Institute, instituição de ensino militar localizada no Novo México.

Posteriormente, ingressou na Patrulha Estadual de Wisconsin, onde trabalha desde julho de 2025.

Como um policial pode ser detido pelo ICE?

A situação envolve uma distinção importante na legislação migratória americana: possuir autorização para trabalhar não significa necessariamente ter um status imigratório que permita permanecer indefinidamente no país.

O DHS informou que Van Der Merwe entrou legalmente nos Estados Unidos em março de 2019, mas sua autorização inicial de permanência teria expirado em setembro daquele ano.

Segundo o departamento, a existência de uma autorização de emprego e de um pedido de asilo pendente não elimina automaticamente a possibilidade de medidas de fiscalização migratória.

A defesa apresenta uma interpretação diferente sobre as circunstâncias do caso.

Os advogados argumentam que o jovem e sua família seguiram os procedimentos legais para solicitar proteção e que ele recebeu autorização do próprio governo federal para trabalhar.

Também destacam que o policial não possui antecedentes criminais conhecidos e exerce uma função de segurança pública.

A questão central envolve a situação migratória do jovem enquanto seu pedido de asilo permanece sem decisão definitiva.

Patrulha Estadual confirmou vínculo profissional

O Departamento de Transportes de Wisconsin, responsável pela Patrulha Estadual, confirmou que Van Der Merwe integra a corporação desde 13 de julho de 2025.

Ele mora em Onalaska e trabalha na unidade de Tomah, no oeste do estado.

As regras de contratação da Patrulha Estadual de Wisconsin permitem que determinados estrangeiros com autorização válida de trabalho sejam empregados como policiais.

Por esse motivo, a cidadania americana não é necessariamente um requisito para todas as contratações realizadas pela corporação.

Van Der Merwe concluiu o treinamento policial e passou pelos procedimentos de seleção exigidos para exercer a função.

Seu advogado, Marc Christopher, destacou que o jovem escolheu trabalhar na segurança pública americana e desempenhava regularmente suas atividades antes da detenção.

Departamento de Segurança Interna defende operação

O DHS afirmou que a prisão ocorreu durante uma operação direcionada realizada no aeroporto de Madison.

Segundo o órgão, Van Der Merwe permaneceu nos Estados Unidos após o vencimento da autorização de entrada concedida em 2019.

O departamento também ressaltou que a autorização de trabalho não equivale à concessão de residência permanente ou de outro status migratório.

A posição do governo federal é que estrangeiros sujeitos a processos de remoção podem ser detidos enquanto suas situações são analisadas.

O DHS informou que o jovem teria direito aos procedimentos legais previstos na legislação americana.

A defesa, por sua vez, questionou a necessidade de manter sob custódia um profissional com emprego regular, autorização federal de trabalho e processo de asilo pendente.

Advogado questiona prisão de agente que trabalha para o próprio governo

Marc Christopher, advogado de Van Der Merwe, criticou a decisão de deter o policial.

Segundo ele, a família chegou legalmente ao país, apresentou o pedido de asilo e aguardou os procedimentos exigidos pelas autoridades.

O advogado também destacou que o governo federal autorizou o jovem a trabalhar, enquanto o estado de Wisconsin o contratou para atuar na segurança pública.

A defesa argumenta que não foram apresentados elementos que indiquem que Van Der Merwe represente ameaça à comunidade ou risco de fuga.

Christopher solicitou explicações sobre a necessidade da detenção e pediu a liberação do cliente.

O caso provocou manifestações de apoio de representantes de entidades policiais e autoridades políticas do estado.

Congressista republicano participou das negociações para liberação

O deputado federal republicano Derrick Van Orden, representante de Wisconsin, entrou em contato com o Departamento de Segurança Interna após tomar conhecimento da prisão.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o parlamentar solicitou esclarecimentos sobre a situação do policial e participou dos esforços para sua liberação.

Na noite de sexta-feira, a defesa confirmou que Van Der Merwe havia deixado a unidade de detenção.

O jovem foi colocado sob uma ordem de supervisão, que poderá exigir comparecimentos periódicos às autoridades migratórias e monitoramento eletrônico.

A liberação não representa o encerramento do processo.

Van Der Merwe ainda deverá apresentar sua defesa perante a Justiça de Imigração para tentar evitar uma eventual deportação à África do Sul.

Entidade policial pede tratamento justo

A Wisconsin Law Enforcement Association, entidade que representa profissionais da segurança pública, manifestou preocupação com a prisão.

A organização destacou a incerteza provocada pelo episódio para o policial, seus familiares e colegas de trabalho.

Também pediu que o caso seja analisado com respeito ao devido processo legal.

A repercussão alcançou autoridades estaduais e federais, além de organizações que acompanham questões migratórias.

O episódio trouxe novamente ao debate as diferenças entre autorização de trabalho, permanência legal e proteção concedida a solicitantes de asilo nos Estados Unidos.

O que acontece com quem aguarda uma decisão de asilo?

Nos Estados Unidos, estrangeiros que solicitam asilo podem permanecer por longos períodos aguardando entrevistas, audiências e decisões sobre seus processos.

Dependendo das condições e dos prazos estabelecidos pela legislação, essas pessoas podem solicitar autorização para trabalhar enquanto aguardam uma resposta.

Entretanto, a concessão do documento de emprego não significa que o pedido de asilo tenha sido aprovado.

A situação migratória depende de fatores como a forma de entrada no país, o histórico individual e as decisões das autoridades competentes.

Pessoas com processos pendentes podem estar sujeitas a procedimentos de remoção, dependendo das circunstâncias.

No caso de Van Der Merwe, os advogados afirmam que o jovem está incluído no pedido apresentado pelo pai e que a família ainda aguarda a entrevista de asilo.

O governo federal, por outro lado, sustenta que a autorização inicial de permanência expirou em 2019.

Essas questões deverão ser examinadas durante o processo migratório.

Policial foi liberado, mas ainda enfrenta risco de deportação

A liberação de Carel Aaron Van Der Merwe encerrou o período inicial de detenção, mas não resolveu sua situação imigratória.

O jovem poderá continuar trabalhando, conforme as condições de sua autorização de emprego e as determinações aplicáveis ao caso.

Ele também terá de cumprir as exigências estabelecidas pelas autoridades migratórias enquanto o processo estiver em andamento.

A defesa pretende demonstrar que o policial deve permanecer nos Estados Unidos enquanto seu pedido de proteção é analisado.

O episódio ganhou repercussão nacional por envolver um agente de segurança pública contratado por um estado americano, mas detido pelo governo federal em razão de sua situação migratória.

O caso evidencia uma questão que afeta outros estrangeiros no país: a possibilidade de possuir autorização legal para trabalhar e, ao mesmo tempo, enfrentar procedimentos de deportação enquanto um pedido de asilo permanece pendente.