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Saiba por que vídeo de Nikolas Ferreira com mais de 160 milhões de visualizações ficou sem áudio no Instagram
Brasil | Política

Saiba por que vídeo de Nikolas Ferreira com mais de 160 milhões de visualizações ficou sem áudio no Instagram

Publicação do deputado sobre o Nordeste perdeu o som após uma reclamação de direitos autorais envolvendo a música “Grão de Areia”, de Rubel. Parlamentar acusou o cantor de censura, enquanto a Meta afirmou que a medida seguiu as regras de propriedade intelectual.


Um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram, que ultrapassou 160 milhões de visualizações, ficou sem áudio após uma reclamação de direitos autorais envolvendo a música “Grão de Areia”, do cantor Rubel.

A gravação, intitulada “O Nordeste que foi esquecido”, foi publicada na terça-feira, 20 de outubro, e reúne entrevistas com moradores de Mundo Novo, no sertão da Bahia, sobre a atuação do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) na região.

A música foi utilizada como trilha sonora do vídeo, que alcançou grande repercussão nas redes sociais. Entretanto, após uma solicitação relacionada aos direitos da composição, a Meta decidiu retirar o áudio da publicação.

O conteúdo permaneceu disponível no perfil do parlamentar, mas passou a ser reproduzido sem som, impedindo que os usuários ouvissem tanto a música quanto os depoimentos apresentados na gravação.

Segundo apuração do g1, o pedido partiu de Rubel, um dos autores da canção. A Meta confirmou a existência de uma reclamação de direitos autorais, mas não divulgou oficialmente a identidade de quem apresentou a solicitação.

Nikolas Ferreira acusa Rubel de censura

A retirada do áudio provocou uma reação de Nikolas Ferreira, que utilizou suas redes sociais para criticar o cantor.

O deputado afirmou que Rubel teria acionado a Sony para solicitar a remoção do som e classificou a atitude como uma tentativa de censura.

Nikolas também chamou o artista de “covarde” e associou a reclamação às posições políticas do músico.

Na avaliação do parlamentar, a decisão acabou silenciando os moradores nordestinos entrevistados na produção.

A acusação, entretanto, não foi confirmada pela Meta.

Em comunicado, a empresa explicou que a retirada ocorreu em razão de uma solicitação de direitos autorais sobre a música utilizada, sem mencionar qualquer motivação política.

A distinção é importante porque a legislação de propriedade intelectual estabelece regras específicas para o uso de obras musicais em conteúdos publicados na internet, independentemente da posição política de quem realiza a publicação.

Quem é Rubel e qual música provocou a retirada do áudio?

Rubel é um cantor e compositor brasileiro conhecido por trabalhos que misturam MPB, samba e elementos da música contemporânea.

A canção “Grão de Areia” integra o álbum AS PALAVRAS, VOL. 1 & 2, lançado em março de 2023.

A composição é uma parceria que envolve Rubel, Xande de Pilares, Tó Brandileone e Ana Caetano, integrante da dupla Anavitória.

A faixa acumula aproximadamente 48 milhões de reproduções no Spotify, segundo os números divulgados na reportagem original.

Apesar da repercussão do episódio, Rubel não apresentou um posicionamento público detalhado sobre o pedido de retirada.

O g1 informou que procurou outros compositores envolvidos na obra e a Sony Music, mas não havia recebido respostas até a publicação da reportagem.

Xande de Pilares esclarece regras para utilização da música

Após a polêmica, Xande de Pilares se manifestou para explicar como funciona a autorização de músicas utilizadas em publicações digitais.

O cantor destacou que a liberação de uma composição não depende necessariamente do intérprete, mas dos titulares dos direitos autorais da obra.

Isso significa que a utilização de uma música em vídeos, campanhas ou outros materiais pode exigir autorização específica, mesmo quando a gravação está disponível em plataformas de streaming.

No caso de “Grão de Areia”, a discussão envolve o direito de utilização da composição como trilha sonora de uma publicação que alcançou milhões de usuários.

A manifestação de Xande buscou esclarecer a questão dos direitos musicais, sem apresentar uma avaliação sobre o conteúdo político do vídeo.

Por que o Instagram pode retirar o áudio de uma publicação?

A Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, possui regras específicas para proteger conteúdos sujeitos a direitos autorais.

De acordo com as diretrizes da plataforma, uma publicação pode sofrer restrições quando utiliza músicas, imagens ou vídeos protegidos sem a autorização necessária.

A empresa explica que determinadas situações não garantem automaticamente o direito de utilização de uma obra.

Dar crédito ao artista, não obter lucro com a postagem ou utilizar apenas parte de uma música, por exemplo, não significa necessariamente que o conteúdo esteja autorizado.

Quando recebe uma reclamação de propriedade intelectual, a plataforma pode adotar medidas como bloquear o áudio, restringir a publicação ou remover o material.

Essas decisões podem ocorrer mesmo quando o vídeo já alcançou um grande número de visualizações.

Os usuários também possuem mecanismos para contestar restrições quando acreditam que têm autorização para utilizar o conteúdo.

Até a divulgação das informações, Nikolas Ferreira não havia informado se apresentou recurso contra a decisão.

Vídeo continua no ar mesmo após retirada do som

Apesar da restrição, o vídeo de Nikolas Ferreira não foi excluído do Instagram.

A publicação permaneceu disponível, mas sem o áudio original.

O conteúdo reúne relatos de moradores de Mundo Novo, na Bahia, que apresentam críticas às condições de vida na região e às políticas públicas implementadas pelo governo federal.

A gravação ganhou destaque durante a reta final da campanha presidencial de 2026, período marcado por intensa circulação de conteúdos políticos nas redes sociais.

O episódio também ocorre em meio ao aumento da atenção sobre o papel das plataformas digitais na divulgação de materiais eleitorais.

Entretanto, a justificativa apresentada pela Meta para a retirada do áudio foi exclusivamente uma solicitação relacionada à propriedade intelectual da música.

Direitos autorais e liberdade de expressão entram no centro da discussão

A repercussão do caso colocou em evidência duas questões distintas: a liberdade de expressão em conteúdos políticos e o direito dos artistas de controlar determinadas utilizações de suas obras.

Nikolas Ferreira sustenta que a retirada do áudio prejudicou a divulgação dos depoimentos apresentados em seu vídeo.

Por outro lado, as regras de direitos autorais permitem que titulares de obras protegidas solicitem providências quando identificam usos que consideram não autorizados.

A legislação não estabelece uma autorização automática para utilizar músicas em publicações políticas, mesmo quando o conteúdo aborda temas de interesse público.

No caso específico, não foram divulgadas informações suficientes para determinar se havia alguma licença que autorizasse o uso de “Grão de Areia” na produção.

A Meta manteve a publicação disponível e restringiu o áudio, enquanto o deputado questionou publicamente a medida.

Com mais de 160 milhões de visualizações, o episódio ganhou dimensão nacional e ampliou o debate sobre os limites de utilização de músicas em vídeos publicados nas redes sociais.

Fonte: g1 — reportagem sobre a retirada do áudio do vídeo de Nikolas Ferreira, com informações da Meta e manifestações públicas dos envolvidos.