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Trump cancela transmissão ao vivo de execução por fuzilamento após críticas, mas mantém pena de morte para ex-major

Trump cancela transmissão ao vivo de execução por fuzilamento após


ESTADOS UNIDOS | POLÍTICA E JUSTIÇA | 15 DE OUTUBRO DE 2026

Nidal Malik Hasan, condenado por matar 13 pessoas e ferir outras 32 em uma base militar no Texas, tem execução marcada para 3 de dezembro. Presidente americano desistiu de exibir o procedimento pela internet após pressão de parlamentares, líderes religiosos e familiares das vítimas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (15) que a execução por fuzilamento do ex-major do Exército americano Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas em 2009, não será mais transmitida ao vivo pela internet.

A decisão representa uma mudança de posição do governo, que havia anunciado a intenção de permitir que o público acompanhasse a execução, marcada para 3 de dezembro de 2026, na base militar de Fort Hood, no Texas.

O plano havia sido apresentado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e provocado críticas de parlamentares republicanos e democratas, organizações de direitos humanos e lideranças religiosas.

Apesar do recuo em relação à transmissão, Trump manteve a autorização para que Hasan seja executado por um pelotão de fuzilamento.

Trump muda de posição após defender transmissão pública

Na semana passada, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou que o governo pretendia transmitir a execução ao vivo, permitindo que pessoas sem ligação com o caso acompanhassem o procedimento.

A proposta era apresentada como uma forma de demonstrar as consequências de ataques contra militares americanos.

Inicialmente, Trump declarou apoio à transmissão. Posteriormente, passou a reconhecer as objeções apresentadas por integrantes de seu próprio governo e por representantes do Congresso.

Nesta quinta-feira, o presidente confirmou a decisão em uma publicação na rede social Truth Social.

Trump afirmou que a exibição poderia funcionar como um instrumento de dissuasão contra futuros ataques, mas reconheceu que muitas pessoas não desejavam assistir à morte de um condenado.

“Ele morrerá, conforme programado, por fuzilamento, mas esse evento não será transmitido”, declarou o presidente, em tradução de sua publicação.

A mudança foi confirmada após dias de discussões sobre os limites da divulgação pública de uma execução realizada pelo governo federal.

Quem é Nidal Hasan e o que aconteceu em Fort Hood?

Nidal Malik Hasan, atualmente com 56 anos, era major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos quando realizou um ataque armado na base militar de Fort Hood, no Texas, em 5 de novembro de 2009.

Na ocasião, Hasan abriu fogo contra militares e outras pessoas que estavam em um centro de processamento de soldados.

O ataque deixou 13 mortos e 32 feridos, tornando-se um dos episódios mais graves de violência registrados em uma instalação militar americana.

Hasan foi baleado durante a intervenção das forças de segurança e ficou paralisado da cintura para baixo.

Em 2013, foi condenado à morte por um tribunal militar, após ser considerado culpado pelos assassinatos e pelas tentativas de homicídio.

Durante o julgamento, ele admitiu a autoria do ataque.

O caso foi tratado pelas autoridades americanas como um ato de terrorismo e provocou investigações sobre os sinais de radicalização do militar antes do crime.

Execução por fuzilamento está marcada para dezembro

A execução de Hasan está programada para ocorrer em 3 de dezembro, às 13h, no horário local do Texas, na própria instalação militar onde aconteceu o ataque.

A autorização presidencial foi concedida em 5 de outubro, após anos de tramitação do caso na Justiça militar.

O procedimento será realizado por um pelotão de fuzilamento, método que voltou ao centro das discussões sobre a aplicação da pena de morte nos Estados Unidos.

A execução poderá representar um marco histórico: será a primeira realizada pela Justiça militar americana desde 1961, caso aconteça conforme o cronograma.

A última execução militar dos Estados Unidos ocorreu há mais de seis décadas, quando John A. Bennett foi enforcado após condenação por estupro e tentativa de homicídio.

Embora a data de Hasan esteja definida, eventuais medidas judiciais ainda podem provocar alterações no calendário.

Vice-presidente e parlamentares criticaram transmissão

A proposta de transmitir a execução provocou resistência dentro do próprio Partido Republicano.

O vice-presidente JD Vance demonstrou dúvidas sobre a necessidade da exibição pública e afirmou que não pretendia assistir ao procedimento.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também esteve entre as autoridades que manifestaram preocupação com a iniciativa.

Parlamentares democratas e republicanos argumentaram que a transmissão poderia transformar uma execução em espetáculo e gerar consequências indesejadas, incluindo a possibilidade de exploração das imagens por grupos extremistas.

Lideranças religiosas também se posicionaram contra a divulgação.

As críticas não significaram necessariamente oposição à condenação de Hasan. Parte dos questionamentos se concentrou especificamente na decisão de disponibilizar imagens de sua morte ao público.

Pesquisa mostra rejeição à transmissão ao vivo

Uma pesquisa realizada pelo Washington Post, em parceria com a ABC News e o instituto Ipsos, apontou que aproximadamente oito em cada dez americanos eram contrários à transmissão ao vivo da execução.

O levantamento também identificou que uma pequena maioria apoiava a aplicação da pena de morte por fuzilamento no caso de Hasan.

Os resultados evidenciaram uma distinção entre o apoio à punição do condenado e a aceitação de que sua morte fosse exibida publicamente.

A repercussão da proposta aumentou a pressão para que a Casa Branca revisasse o anúncio feito pelo Pentágono.

Familiares das vítimas poderão acompanhar a execução

Embora a transmissão pela internet tenha sido cancelada, familiares das vítimas poderão acompanhar a execução presencialmente, conforme as regras estabelecidas pelas autoridades militares.

A presença de testemunhas autorizadas é diferente da divulgação irrestrita de imagens para o público.

Nos Estados Unidos, execuções geralmente são acompanhadas por um grupo limitado de pessoas, que pode incluir representantes da imprensa, autoridades e familiares das vítimas.

A transmissão pública inicialmente planejada para o caso de Hasan teria representado uma mudança significativa nessa prática.

Com a decisão anunciada por Trump, o procedimento deverá seguir sem exibição aberta pela internet.

Decisão reacende debate sobre pena de morte nos Estados Unidos

O caso voltou a colocar em discussão a aplicação da pena capital, especialmente quando envolve crimes cometidos por integrantes das Forças Armadas.

Defensores da punição argumentam que a execução de condenados por assassinatos em massa representa uma resposta do sistema de Justiça à gravidade dos crimes.

Já organizações contrárias à pena de morte questionam tanto a utilização do fuzilamento quanto a possibilidade de transformar execuções em eventos públicos.

A controvérsia também levantou preocupações sobre os efeitos que imagens de violência estatal poderiam provocar na sociedade e sobre sua eventual utilização como propaganda por organizações extremistas.

Por enquanto, a decisão da Casa Branca encerra a discussão sobre a transmissão ao vivo, mas mantém o cronograma da execução.

Nidal Hasan continua condenado à morte e deverá enfrentar o pelotão de fuzilamento em 3 de dezembro, caso não haja nova decisão judicial que altere o procedimento.